Orfanato é investigado por tráfico de crianças

Casal que administrou orfanato em SP nas décadas de 80 e 90 é investigado pelo MPF por venda ilegal de bebês a estrangeiros

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

13 Julho 2015 | 19h34

RIO - Um casal que durante as décadas de 1980 e 1990 administrou o orfanato Lar da Criança Menino Jesus, em Santana (zona norte de São Paulo), é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) pela suspeita de ter vendido crianças para casais estrangeiros. Dois casos de doação ilegal já foram confirmados, mas o MPF suspeita que houve outros.

No dia 2, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão de documentos na casa do casal e no prédio onde funcionou o orfanato, hoje ocupado por um Centro de Educação Infantil (CEI) indireto. O MPF ainda não sabe o que foi apreendido porque não recebeu o material da PF.

Guiomar Morselli, de 79 anos, e o marido Franco Morselli já foram investigados nas esferas criminal e cível. Como os casos confirmados ocorreram há muito tempo, o processo criminal foi arquivado por prescrição.

Na esfera cível, o procurador da República Jefferson Aparecido Dias impetrou em 14 de maio deste ano ação civil pública para tentar condenar o casal a pagar indenização por danos materiais e morais causados às pessoas que, quando bebês ou crianças, foram enviadas ilicitamente por eles ao exterior. O procurador pede ainda que o casal pague indenização por danos morais coletivos, destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos. Caberá ao juiz definir o valor da indenização, caso o casal seja condenado.

Um dos casos confirmados de tráfico de bebês é de Charlotte Cohen-Tenoudji, brasileira de 28 anos. Em 1987 ela foi entregue a um casal francês que teria pago cerca de R$ 100 mil.  Os franceses nunca esconderam que Charlotte era adotada, mas se recusaram a contar a história da adoção, mesmo depois que ela descobriu documentos que o pai adotivo guardava. Maltratada pelos pais adotivos, em 2012 ela voltou ao Brasil e ainda procura os pais biológicos.

Em agosto de 2014, consultado pelo Estado, Franco Morselli afirmou que Charlotte "deveria é me agradecer", pois "foi para a França, estudou". Ele negou ter recebido dinheiro pela entrega do bebê. Procurado nesta segunda-feira por telefone, o casal não foi localizado.

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