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FELIPE RAU/ESTADÃO

Para oposição, projeto de eleição direta de subprefeitos ‘não passa’

Base aliada tem 'dúvidas' sobre aprovação; proposta foi enviada à Câmara Municipal pelo prefeito Haddad nesta quarta-feira

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Juliana Diógenes e Ricardo Galhardo,
O Estado de S. Paulo

07 Janeiro 2016 | 04h30

SÃO PAULO - Vereadores da base aliada e da oposição ouvidos pelo Estado fizeram críticas à proposta do prefeito Fernando Haddad que institui eleições diretas para a escolha dos 32 subprefeitos paulistanos, enviada nesta quarta-feira, 6, à Câmara Municipal. Tudo indica que Haddad enfrentará dificuldades para aprová-la. 

José Américo, atual secretário municipal de Relações Governamentais e presidente da Câmara até 2013, disse que já procurou vereadores em busca de apoio ao projeto de Haddad. “Tenho conversado com vereadores que são simpáticos à ideia. Mas alguns têm dúvidas”, admitiu. 

Segundo Adilson Amadeu (PDT), o projeto tem “zero chance” de ser aprovado ainda na atual gestão. “Isso não vai dar certo. E não existe chance de passar”, afirmou. 

Para Amadeu, as 32 subprefeituras estão “sem estrutura nenhuma” e deveriam ser administradas pela iniciativa privada. “Dá para um consórcio administrar, que vai fazer melhor para o bairro. Aí acaba com a bagunça”, disse. 

Factoide. De acordo com o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), que foi subprefeito da Sé na gestão José Serra, também tucano, a proposta é um “factoide” que tem como objetivo criar uma cortina de fumaça para os problemas da gestão de Haddad. “É uma forma de querer justificar a inépcia. Em vez disso, o prefeito deveria escolher melhor os subprefeitos, dar autonomia de verdade e cobrar resultados. É uma ideia sem pé nem cabeça, uma manobra diversionista”, afirmou. “Imagine o custo disso para a cidade de São Paulo”, completou o tucano. 

A Prefeitura ainda não tem previsão de gastos com a eleição direta. Por enquanto, o que se sabe é que o orçamento dos subprefeitos, segundo Haddad, dependerá de aprovação da Câmara Municipal.

Ele admitiu também que as eleições diretas podem reduzir a ação dos vereadores nas subprefeituras. Segundo ele, hoje os parlamentares são cobrados por questões que dizem respeito ao Executivo. O prefeito afirmou que esse “jogo de pressão” entre vereadores e subprefeitos “às vezes desestabiliza” a atuação das regionais.

Em conversas reservadas, até vereadores de partidos que integram a base aliada na Câmara contestam a ideia. Para eles, Haddad tenta, com a medida, justificar a política de reduções orçamentárias, centralização de recursos e corte de prerrogativas das subprefeituras nos últimos anos. 

Tanto para a oposição quanto para aliados, a aprovação do projeto na Câmara será muito difícil. “Isso não passa de jeito nenhum”, disse Matarazzo.

Funções. O vereador Paulo Fiorilo, presidente do diretório municipal do PT, defende que a discussão vá além do método de escolha dos subprefeitos. “É preciso discutir, além da eleição, quais serão exatamente as funções das subprefeituras”, disse ele.

 

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