Ônibus teria levado 20 imigrantes para o Sul

Ministério investiga veículo porque teme que os estrangeiros estejam vulneráveis e em situação precária de trabalho

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2014 | 03h00

SÃO PAULO - O Ministério do Trabalho e Emprego acionou a Polícia Rodoviária Federal para tentar rastrear um ônibus que chegou, no começo da tarde desta quinta-feira, 24, à sede da Pastoral do Migrante, no Glicério, centro de São Paulo, e levou cerca de 20 haitianos que estavam abrigados ali. Como os imigrantes não têm carteira de trabalho, o temor é que eles sejam submetidos a empregos em situação irregular ou equivalente a escravidão.

"Acionamos a PRF para tentar localizar esse ônibus e identificar quem seria o suposto empregador dessas pessoas", disse o superintendente do Ministério do Trabalho Luiz Antônio Medeiros, que visitou o centro ontem. O destino do ônibus, segundo os próprios haitianos, seria a Região Sul do País - disseram que o grupo iria tanto para o Paraná quanto para Santa Catarina.

Haitianos e representantes do governo do Acre disseram, anteontem, que um frigorífico de Santa Catarina realmente estava fazendo esforços para levar os imigrantes até o Sul. Mas não souberam dizer o nome da empresa nem a cidade.

O padre Paolo Parise, que atua na Pastoral, disse que alguns dos imigrantes que chegaram do Acre já tinham passagens de ônibus pagas para o Sul. Mas não sabia se a documentação trabalhista deles estava correta.

Abrigos. O padre Parise cobrou respostas da Prefeitura de São Paulo sobre o fornecimento de abrigos adequados para os haitianos. A paróquia, que possui 120 vagas, não tem onde colocar os haitianos. "É uma obrigação da Prefeitura fornecer abrigo. Mas um grupo que foi abrigado em um local para moradores de rua foi roubado e, agora, eles não querem mais voltar", afirma Parise.

O secretário municipal de Direitos Humanos, Rogério Sottili, afirmou que há um esforço envolvendo também as Secretarias de Assistência Social, Trabalho, Relações Internacionais e Saúde para acompanhar o caso. "Há 120 imigrantes haitianos nos abrigos municipais", disse. "Estamos providenciando alimentação e visita diárias de dois agentes de saúde para acompanhar os imigrantes. Hoje mesmo (quinta-feira), dois deles foram encaminhados para atendimento médico."

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