NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Ônibus interrompem circulação na USP após ameaça de ataques

Carro com três suspeitos parou em terminal de ônibus; homens teriam ameaçado balear e incendiar coletivos que circulassem nas imediações da Favela São Remo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2016 | 16h36
Atualizado 02 Setembro 2016 | 22h46

SÃO PAULO - Uma suposta ameaça de novos ataques interrompeu por quase cinco horas a circulação de ônibus no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, zona oeste da capital paulista, nesta sexta-feira, 2. Os transtornos fizeram grupos de alunos desistirem de ir para a universidade e alguns professores resolveram cancelar aulas em unidades como a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

Funcionários de empresas de ônibus e da segurança da USP relataram que, por volta das 11 horas, um Fiat Palio com três suspeitos teria parado perto do Portão 2 e ameaçado balear e incendiar coletivos que circulassem perto da Favela São Remo. “No Portão 2, é facinho, facinho de atacar. É isolado, não tem segurança. A gente fica com medo”, disse um motorista. 

Um suspeito foi morto e outro ficou ferido pela polícia na São Remo, nesta semana. Na quarta-feira, um ônibus e um táxi foram incendiados, no que os investigadores acreditam ser uma retaliação pela morte.

Após a ameaça, os ônibus foram recolhidos pelas empresas e levados para fora do câmpus, na Avenida Afrânio Peixoto, onde ficaram estacionados sob escolta policial. Segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), nove linhas das viações Gato Preto, Sambaíba e Transppass deixaram de operar entre 12h30 e 17h10. Os coletivos circulares também pararam de funcionar.

A interrupção causou transtornos para funcionários e alunos. Os coletivos deixaram de entrar na USP e todos os passageiros precisaram desembarcar no Portão 1. “A caminhada durou uma hora”, disse a auxiliar de limpeza Marili da Silva, de 41 anos, que foi da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) até o Metrô Butantã a pé. “Fico com medo de pegar ônibus aqui. Imagina se tocam fogo com a gente dentro?”

O estudante de Matemática Jessé Jefferson, de 32 anos, afirmou que, desde o primeiro ataque, os ônibus evitam passar pela região do Hospital Universitário (HU), que fica do lado da São Remo. “O percurso dentro da USP está diferente, mais breve”, disse. 

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) informou que as empresas foram “orientadas pela Polícia Militar a não entrar na área, diante da ameaça recebida por fiscais das linhas”. Segundo o sindicato, os estudantes também teriam recebido a orientação de não permanecer no câmpus no fim da tarde.

‘Toque de recolher’. Nesta sexta, alunos da USP receberam mensagens por WhatsApp informando que o suspeito ferido pela polícia havia morrido, e estabelecendo toque de recolher às 16 horas. Para a PM, tratou-se de um “boato”. Mesmo assim, o policiamento no local foi reforçado por “medida de cautela”.

Ante a dificuldade de transporte e o receio de possível ataque, alguns alunos decidiram faltar ao curso à noite. “Alguns se organizaram para não ir, porque não quiseram ficar sem o circular e têm medo de não conseguir voltar para casa depois de ficar tarde”, afirmou a universitária Marcela Carbone, de 24 anos, estudante de Artes Cênicas na ECA.

Já a estudante Gabriela Soares, de Ciências Sociais na FFLCH, conta que o professor cancelou a aula. “Ele achou mais seguro desmarcar. E também tinha a dificuldade dos ônibus.”

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