José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Oferta de água por habitante cai 1,5% ao ano na região do PCJ

Redução coloca área em situação de déficit hídrico; quantidade é comparável à de regiões desérticas como as do Oriente Médio 

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2015 | 14h57

SOROCABA - A disponibilidade de água por habitante caiu em média 1,5% ao ano nos últimos 18 anos, nas regiões de Campinas, Piracicaba e Bragança Paulista, no interior de São Paulo, segundo estudo do Consórcio das Bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). A oferta, que era de 408 metros cúbicos por segundo por habitante ao ano em 1996, foi reduzida para 298,8 m³/s em 2014. Essa quantidade de água por habitante é comparável à de regiões desérticas como as do Oriente Médio, segundo o PCJ.

A redução coloca em situação de déficit hídrico, conforme parâmetro da Organização Mundial de Saúde (OMS), 72 cidades do interior paulista, parte delas na Região Metropolitana de Campinas, e quatro cidades de Minas Gerais.

O estudo, divulgado nesta quinta-feira, 23, consistiu na atualização de dados levantados em 1996 pelo pesquisador Armando Gallo, especialista em águas da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas.

Na bacia do Alto Tietê, onde está a Grande São Paulo, a disponibilidade de água por habitante é ainda mais crítica, de 49,6 m³/s por habitante ao ano.

De acordo com o estudo, em parte há menos água por habitante porque a população aumentou de 3,8 milhões para 5,8 milhões nas 72 cidades da área do PCJ e a produção de fontes de abastecimento não cresceu na mesma medida.

Porém, o consumo de água pela indústria caiu 16,7% no mesmo período e, na irrigação, a queda foi de 66%. Já o uso de água para abastecimento público aumentou 47%, subindo de 8,4% para 12,4% nessa região.

De acordo com a gerente técnica do PCJ, Andréa Borges, a redução das demandas do setor industrial e agrícola evitou que a situação hídrica fosse ainda pior. "A cobrança pelo uso da água consolidou uma nova cultura em relação a esse bem", disse.

Para o secretário executivo do PCJ, Francisco Lahóz, o estudo torna evidente a necessidade de construir os reservatórios nas cidades de Pedreira e Amparo para aumentar as vazões dos Rios Camanducaia e Jaguari em 7 m³/s, como planeja o governo estadual.

Lahóz defende ainda a construção do reservatório do Piraí, em Salto, que atenderá a ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos. Nesta sexta-feira, 24, apesar das chuvas, as vazões dos Rios Atibaia e Jaguari, que abastecem a região, estavam pouco acima do nível de alerta. O Atibaia, que entra em alerta com vazão de 5 m³/s, tinha 7,66 m³/s, enquanto o Camanducaia, que é crítico a partir de 2 m³/s, estava com 3 m³/s.

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