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Obras de ciclovia da Paulista começam neste mês, diz secretário

Caio do Valle - O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2014 | 11h 53

Canteiro central da avenida será alargado em cerca de 25 cm em cada lado; via não perderá nenhuma das oito faixas para veículos

Atualizada às 22:07

SÃO PAULO - Esperada há anos por quem anda de bicicleta em São Paulo, a ciclovia da Avenida Paulista começa a sair do papel neste mês. A informação foi divulgada nesta segunda pelo secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto. A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) tem nas bicicletas uma de suas prioridades para a área de mobilidade urbana. Desde junho, 44,9 quilômetros de ciclovias foram instalados na cidade - existem hoje 105,5 km dessas canaletas segregadas.

"Acho que vamos começar (a obra da Paulista) agora em setembro, no canteiro central", afirmou o secretário, ao ser questionado pelo Estado sobre a estrutura. Ainda de acordo com ele, a "ideia é até o fim do ano" abrir a via ao público. 

Rafael Arbex/Estadão
A ciclovia da Paulista fará com que o canteiro central da avenida seja alargado em cerca de 25 cm em cada lado, a fim de acomodar a passagem das bikes nos dois sentidos

A ciclovia da Paulista fará com que o canteiro central da avenida seja alargado em cerca de 25 centímetros em cada lado, a fim de acomodar a passagem das bicicletas nos dois sentidos. Mesmo assim, a via não perderá nenhuma das oito faixas de rolamento para veículos motorizados. Segundo Tatto, em certos trechos haverá a colocação de grades nas laterais, para proteger os ciclistas.

Em uma ponta, a ciclovia continuará pela Rua Vergueiro. Na outra parte da Paulista, ela seguirá por dentro do bairro do Pacaembu, em vez de continuar pela Avenida Doutor Arnaldo.

Tatto disse que o projeto da Paulista está pronto, ou seja, o traçado já foi definido. Contudo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que o plano "ainda está em fase de execução", sem dar detalhes, como o que será feito com os canteiros de plantas. Pela avenida, que tem 2,4 km de comprimento, circulam, em três horas na ciclofaixa de lazer montada na avenida, cerca de 2,4 mil ciclistas, conforme estatísticas de 2012 da própria Prefeitura. A ciclofaixa, entretanto, é provisória e opera somente aos domingos e feriados nacionais.

 

A Paulista já foi palco de graves acidentes que resultaram na morte de ciclistas, como o da bióloga Juliana Dias, de 33 anos, em 2012, e de Márcia Prado, de 40, três anos antes. Ambas foram atingidas por ônibus na faixa mais à direita. Em março de 2013, um jovem que ia trabalhar de bicicleta perdeu o braço direito ao ser atropelado por um motorista bêbado na ciclofaixa da avenida.

Ele é o auxiliar David Santos Sousa, de 22 anos, que afirma ser favorável à implementação da ciclovia. "Com certeza, é um bom começo, porque tem muita gente que usa a Paulista de bicicleta." O jovem, porém, critica a demora para a construção de uma via só para bikes no local. "Só pela quantidade de pessoas que morreram lá, deveriam ter feito isso bem antes." Apesar do acidente, Sousa ainda circula de bike pela Paulista.

O cicloativista Willian Cruz, do site Vá de Bike, explica que uma vertente dos ciclistas defende a criação de ciclovias à direita nas pistas, para facilitar o acesso a comércios e serviços. "Mas a ciclovia no canteiro central tem a vantagem de proteger os ciclistas. No caso da Paulista, é necessário, porque é uma rota conhecida dos ciclistas." Para ele, a Prefeitura poderia aumentar o tempo de travessia dos semáforos de pedestres para evitar o acúmulo de pessoas no canteiro central e um eventual conflito com os ciclistas.

Restrição. Na semana passada, Tatto esteve em Nova York para uma visita técnica. Um dos objetivos da viagem, disse ele, foi o de aperfeiçoar entendimentos para a implementação de ciclovias urbanas - a cidade americana teve, nos últimos anos, um plano agressivo de instalação de canaletas para bikes, atingindo a marca de 675 km. O governo Haddad quer 400 km em São Paulo até o fim do próximo ano.

Mas houve outra pauta de Tatto em Nova York. "Fui entender um pouco como eles fizeram a parte da restrição do carro na região central." Questionado se a ideia pode ser trazida, o secretário respondeu que "conhecimento sempre é bom na hora de tomar uma decisão". "Ela deve ser tomada em dados sólidos, em experiências. A cidade de São Paulo não é uma ilha."