Obra na Marginal do Tietê sufoca ruas de bairros

Desvios em pontes transformaram áreas residenciais em rotas alternativas para milhares de veículos

Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo,

24 Novembro 2009 | 08h39

Congestionamento na Rua Zanzibar, próxima à ponte da Casa Verde, virou rotina após início das obras

 

Moradora de uma rua erguida sobre a várzea do Rio Tietê, na parte baixa da Vila Maria, Eva Sandra da Silva, de 59 anos, acordava até o início de novembro com a cantoria de passarinhos - situação bem diferente das filas de carros que hoje buzinam desde as 6 horas na frente de sua casa. A rua de Eva foi adotada por motoristas como uma das rotas alternativas à Marginal do Tietê e às pontes interditadas para obras na via.

 

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Os desvios em cinco pontes, ao longo de 14 dos 23 km da Marginal, transformaram ruas residenciais estreitas em rotas alternativas para parte dos 1,2 milhão de veículos que passam todos os dias pela via. Taxistas, caminhoneiros e motoristas vão descobrindo caminhos paralelos aos indicados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). As rotas passam por ruas residenciais de seis regiões: Vila Maria, Santana, Casa Verde, Freguesia do Ó, Barra Funda e Lapa.

 

A Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), responsável pela obra de ampliação, indica 18 caminhos para quem quer fugir dos transtornos causados pelos desvios. Auxiliados por emissoras de rádio e por aparelhos de GPS, motoristas também tentam cortar bairros inteiros, na tentativa de não ficar parados no trânsito. E é assim que eles passam diante de sobrados como o da moradora da Vila Maria, na Rua Luís Felipe de Orleans. "Todo dia abro minha janela às 6h e já tem uma fila de carros. O asfalto da rua está até afundando", lamenta Eva. A rua é usada principalmente por quem quer escapar do trânsito causado pelas interdições nas Pontes das Bandeiras e da Vila Maria.

 

Caminhões buscam caminhos alternativos em ruas estreitas e antes só residenciais

 

Na zona oeste, ruas estreitas da Barra Funda, ocupadas por casas e alguns poucos edifícios, passam o dia entupidas de veículos que tentam escapar da interdição na Ponte da Casa Verde. Como a Avenida Rudge, principal saída para a Marginal, está sempre congestionada por causa dos desvios na ponte, os motoristas começaram a usar pequenas ruas transversais para escapar pelo corredor da Marquês de São Vicente.

 

"A Barra Funda ficou intransitável, parece um labirinto. Você entra numa rua livre, pensando que corta caminho, e logo adiante já fica preso de novo no trânsito", conta o médico João Bini Cano, de 41 anos. Do outro lado do rio, na Casa Verde, na parte baixa do bairro, ruas com casas ocupadas por moradores antigos, como a Zanzibar e a Iapó, também foram invadidas após os desvios. A "rota residencial" sempre resulta em economia de tempo, segundo o entregador de bebidas Wagner Olaria dos Santos, de 34 anos. Ele faz entregas na zona norte e se gaba de não andar por avenidas movimentadas.

 

Umas das ruas indicadas como boa alternativa por Santos é a Zanzibar, na Casa Verde, onde há 24 anos mora a família do metalúrgico Jovinaldo Ferreira, de 57 anos. "É caminhão e carro o dia inteiro, e o pior de tudo é a poluição", diz Ferreira.

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