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GABRIELA BILO | ESTADAO CONTEUDO

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Obra em Paranapiacaba já atrasa 2 anos

Restauração de vila inglesa é condição para candidatura a Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco; PAC repassou R$ 41 milhões

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Edison Veiga,
O Estado de S.Paulo

20 Março 2016 | 03h05

Escondida sob a terra, parte da história da vila inglesa de Paranapiacaba, em Santo André, no ABC paulista, começa a ser revirada por dois arqueólogos e dois geógrafos. Ao longo dos próximos oito meses, eles devem escavar diversos setores do povoado em busca de fragmentos que ajudem a detalhar como era o dia a dia dos primeiros moradores da região, no século 19. Há também a expectativa de que sejam encontrados indícios de uma antiga rota indígena que passava pelo local, ligando o litoral ao planalto paulista.

 

A prefeitura diz que o cronograma original vai ser respeitado. O Iphan, que acompanha os trabalhos, não vê problemas em um eventual atraso. “São processos complicados”, avalia um dos arquitetos do órgão, Mauro David Artur Bondi. “Devagar e sempre, para dar tudo certo. Não é uma obra comum, é obra de restauração.”

 

Fragmentos. As prospecções arqueológicas ainda estão em fase inicial. “Mas já encontramos componentes das antigas locomotivas, como carvão mineral”, afirma o arqueólogo David Lugli Turtera, que capitaneia os trabalhos. De acordo com registros históricos, nas primeiras décadas de funcionamento da ferrovia não era usado combustível vegetal. “Também identificamos o que chamamos de ‘tralha doméstica’, fragmentos de porcelana e de frascos que podem ajudar a reconstituir o dia da dia dos primeiros moradores”, completa o arqueólogo.

Após o trabalho de coleta, todo o material será catalogado e analisado. O plano é que passe a integrar o acervo do Museu de Santo André – mas, em um primeiro momento, ficará sob a guarda temporária do Museu de Arqueologia de Iepê, município do oeste paulista, que tem a melhor estrutura para acondicionar esse tipo de item.

Entre os materiais mais curiosos já coletados está uma garrafa de elixir produzida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, por João da Silva Silveira, entre o fim do século 19 e os anos 1940. “Era indicado para combater a sífilis”, comenta Turtera.

Também foram encontrados uma seringa de vidro da marca Becton, Dickinson Ind. Cirúrgicas, a primeira a ser fabricada no Brasil, entre os anos 1950 e 1970, em Juiz de Fora, Minas, e um copo americano personalizado com o nome da tradicional Confeitaria Colombo, fundada em 1894, no Rio. Assim, em paralelo a obras que deixam Paranapiacaba “novinha em folha”, o passado ganha cores e detalhes graças à arqueologia.

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