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Obra de ciclovia na Paulista atrasará e será concluída só em 2015

Marco Antônio Carvalho e Felipe Resk - Especial para o Estado

03 Setembro 2014 | 11h 01

Consulta a órgãos de defesa do patrimônio e aumento da extensão devem empurrar finalização do projeto para o ano que vem

Atualizado às 21:24

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quarta-feira que as obras para instalação da ciclovia na Avenida Paulista vão começar em janeiro de 2015 e não mais este ano. Segundo ele, a decisão foi tomada para que as interferências na via não afetassem as festas de fim de ano.

Na terça-feira, o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, havia afirmado que o início da implantação seria este mês. A data foi alterada, no entanto, porque não havia 100% de garantia de conclusão até dezembro, afirmou o prefeito. Nessa época, a avenida se torna ponto turístico por causa das decorações de Natal e programação de réveillon. Na última virada de ano, o público estimado foi de 2 milhões de pessoas. 

José Patrício/Estadão
Plano levou três meses para ser gestado

Segundo o secretário Jilmar Tatto, a expectativa é de que a obra seja finalizada antes de junho de 2015. Para instalar faixas exclusivas de bicicleta, será necessário remover as interferências do canteiro central, como plantas, relógios públicos, totens e alguns postes de iluminação.

Na Avenida Paulista, a ciclovia ficará um nível um pouco mais elevado do que as oito faixas de rolagem para veículos motorizados, que serão preservadas - embora um pouco mais estreitas. O canteiro central deve aumentar cerca de 25 centímetros para cada lado. "Assim, nós vamos alargar a extensão para os pedestres, com o ciclista passando por uma faixa estreita ao lado. Isso para que o pedestre tenha prioridade sobre a ciclovia", afirmou o prefeito.

Com a mudança, não haveria alteração no tempo de travessia dos pedestres, afirmou o prefeito. "A gente sabe que algumas pessoas ficam retidas na ilha, então verificamos o ponto mais crítico - o cruzamento com a Rua Augusta - e usamos esse padrão em toda a extensão da Paulista", disse Haddad. Desde junho, a Prefeitura construiu 44,9 km de ciclovias na cidade e a meta é chegar a 400 km até o fim do ano que vem. 

Adiamento. Para aprovar o projeto, que demorou três meses para ser gestado, Fernando Haddad solicitou ampliação do plano, informou Jilmar Tatto. "Não é só ciclovia. Vai ter passagem de fibra ótica. Como as calçadas são tombadas, vamos levá-las para o canteiro central, o que vai favorecer todas as empresas instaladas na Avenida Paulista", disse o prefeito.

Entre suas as solicitações está o enterramento de fiação, revitalização das calçadas e do canteiro central na Avenida Bernardino de Campos, como uma "extensão da Paulista", segundo o prefeito. "Quando se fala em ciclovia, você não pode pensar só naquele trechinho da praça Osvaldo Cruz até a Consolação", disse Tatto, que acrescentou a necessidade de conexões da ciclovia entre as avenidas, assim como os cruzamentos com ruas perpendiculares. Haddad também pretende corrigir a transição dos ônibus que vão da Avenida Paulista para a Rua da Consolação. 

Além da ampliação do projeto, outro fator que poderia representar problemas para o cronograma é a consulta a órgãos de defesa do patrimônio histórico, já que na Avenida Paulista estão situados prédios tombados como o do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Conjunto Nacional. "Não tenho certeza se é necessário (aprovação). Mas, se precisar, a gente encaminha", afirmou o prefeito. "Não há impacto propriamente nos prédios tombados." 

"É como se para fazer faixa exclusiva você precisasse de autorização. Não precisou. Ciclovia é um meio não motorizado, que não agride, não polui", afirmou Tato.