Objetivo é tornar situação incômoda

Não se trata de falta de verbas. Entre 2002 e 2009, os recursos da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social - juntado dinheiro do orçamento e do Fundo Municipal - passou de R$ 201,6 milhões para R$ 615,8 milhões. Trata-se, portanto, de uma decisão política mudar os rumos do programa de assistência social na cidade.

Bastidores: Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2010 | 00h00

Um inspetor da GCM explicou a lógica por trás da atuação mais intensa da corporação junto aos moradores de rua. Historicamente, o centro vem oferecendo uma série de serviços públicos e de instituições religiosas, como comida, banho e oficinas de capacitação, aos moradores. Esse amplo leque de ofertas serviria para estimular essa população a vir para a região e a continuar nas ruas. Cabe aos guardas, atualmente, tornar a vida dos moradores de rua mais incômoda para que dessa maneira eles busquem mudar de condição.

O chamado "toque de despertar" é um das medidas para chatear. No centro histórico, em frente à Bolsa de Valores, os guardas diariamente passam acordando aqueles que dormem no calçadão para que fiquem sentados. A situação é repetida em praças com grande movimento. Na Praça da Sé, no centro, hoje também é proibido ficar deitado. Os moradores podem ficar no local desde que fiquem sentados nas muretas.

Já a política anterior, baseada no trabalho de 452 agentes de proteção social, que atuavam com o apoio de 40 Kombis para encaminhar moradores aos albergues, é vista como assistencialista. Até 2008, os GCMs só atuavam em casos críticos, em que havia risco de morte do morador.

Seguindo esse novo olhar sobre o tema, outra medida a ser tomada para desestimular a permanência na rua é proibir a tradicional entrega de comida a essa população feita por entidades religiosas espíritas, evangélicas e católicas. A ideia é levar essas entidades a oferecerem os alimentos nas tendas criadas pela Prefeitura para receberem os moradores de rua. "Isso vai ajudar a aumentar o contato dessa população em situação de risco com os serviços da Prefeitura", diz o secretário de Segurança Urbana, Edson Ortega.

Apesar das mudanças estruturais, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Alda Marco Antônio, evita detalhar ou abrir ao debate os rumos que pretende para a pasta.

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