'O que aconteceu aqui foi uma vergonha'

Na última sessão do semestre, o primeiro a falar foi o vereador Carlos Apolinário (DEM), que revelou um arranjo dos líderes do governo para derrubar todas as sessões de votações desde abril. Ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-deputado federal, ele afirmou nunca ter visto nada parecido ao que ocorreu no plenário da Câmara paulistana nos últimos dois meses.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

01 Julho 2012 | 03h01

O senhor reclamou hoje que as sessões não dão quórum, mesmo com o painel de presença completo. O senhor sabia que há funcionários que digitam a presença dos ausentes?

Olha, eu não sei se existe um "esquema". Só sei de uma coisa: o que aconteceu aqui nessa Casa nos últimos dois meses foi uma vergonha. O painel estava sempre cheio de presença, com quórum para votação. Mas, na hora da verificação nominal para o início do encaminhamento dos projetos, não havia os vereadores para abrir a sessão. É muito estranho. Fiquei dois meses sem conseguir falar no pequeno expediente, porque nunca havia quórum. Nunca vi isso.

Alguém já se ofereceu para colocar presença para o senhor quando estava ausente?

Não. E se oferecesse eu negaria, óbvio.

Mas o senhor não percebe que existem vereadores ausentes?

Eu não fiscalizo o trabalho dos outros 54 parlamentares. O que eu falei que realmente acho estranho é o painel apontar a presença da maior parte dos parlamentares e depois, na hora de verificação do quórum, não ter o número para abrir as votações. Isso é vergonhoso para a cidade.

Será que é por que os vereadores marcam presença no painel secreto ao lado do elevador?

O problema não é esse. Já fui deputado federal e em Brasília também tem painel ao lado do elevador, fora do plenário. O problema é marcar a presença e se ausentar no momento da votação. Isso é um absurdo que precisa ser penalizado com desconto no holerite.

Quase não houve votações no primeiro semestre, por causa do baixo quórum de parlamentares. Os trabalhos na Câmara não tendem a ficar ainda mais esvaziados no segundo semestre?

Com certeza. Se nem agora, no primeiro semestre, conseguimos dar encaminhamento às propostas que podem melhorar a cidade, imagine quando começarem as convenções dos partidos, a campanha nas ruas. Não vai ter mais ninguém aqui.

O senhor não vai mesmo ser candidato à reeleição?

Não, estou muito desiludido com o funcionamento do Parlamento municipal. As coisas não funcionam. Prefiro encerrar meus 28 anos de vida pública. / D.Z.

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