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O preconceito não acabou, mas não é mais tolerado

Mirian Goldenberg - O Estado de S.Paulo

14 Abril 2011 | 00h 00

Esse tipo de campanha ajuda a tirar o estigma, o peso pejorativo. Ela diz que todos somos iguais, independentemente de cor, idade e raça. E mostra que ainda somos livres e solidários com as escolhas do outro. No Rio, lancei a campanha "Eu Sou Coroa". Universitárias de 20 anos fazem parte do grupo. Coroa deixou de ser alguém velho, acabado, destruído.

Qual é o problema de pensarem que sou gay? Quando todo mundo afirma ser gay, não dá para discriminar. O homofóbico trata o gay como ser diferente, ameaçador à sociedade. Ele não terá mais o que fazer vendo todo mundo à sua frente dizendo que é gay.

Muitos homens e mulheres casaram e tiveram filhos simplesmente porque não puderam escolher outro tipo de vida. São inúmeras as histórias de pais que expulsaram filhos de casa por eles serem diferentes. E a maioria sempre foi representada por uma minoria de homens ricos, brancos, bem sucedidos. Até mulheres eram consideradas minoria. E elas nunca foram minoria. A adesão que a campanha teve mostra que não existe minoria.

Quem é maioria hoje? Qual o modelo certo a seguir? É só ver novelas e seriados americanos. O modelo da família arrumadinha explodiu. Houve flexibilização do modelo de família e casamento.

Homofobia sempre existiu. E ainda existe. O que mudou foi a sociedade, que não aceita mais esse tipo de manifestação. O preconceito não acabou, mas não é mais tolerado.

É ANTROPÓLOGA E PROFESSORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

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