''O ideal seria cremar os corpos, é a solução sanitária para isso''

''O ideal seria cremar os corpos, é a solução sanitária para isso''

ENTREVISTA

, O Estadao de S.Paulo

05 Abril 2010 | 00h00

Lezíro Marques Silva

GEÓLOGO, MESTRE EM ENGENHARIA SANITÁRIA

Há alguma lei que determine prazo para que cemitérios façam o controle do subsolo e de possíveis contaminações?

Os cemitérios têm até 31 de dezembro para se adequar à Resolução n.º 335 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que trata de dispositivos de segurança para monitorar o lençol freático. Há em vigência o Código Sanitário do Estado de São Paulo, normas e outras resoluções sobre o assunto. Mas cemitérios e poluição sempre foram assunto deixado de lado.

Há muitos cemitérios que poluem o solo com o necrochorume?

Cerca de 75% deles têm problemas de poluição ambiental e sanitária.

A poluição em Vila Formosa e em Vila Nova Cachoeirinha é grande?

Sim. Cada cadáver verte cerca de 200 mililitros de necrochorume por dia, que, se escaparem da sepultura, penetram no solo. Há alta carga tóxica e microbiológica, com vírus e bactérias. É só multiplicar o volume pelo número de sepulturas.

Há solução para evitar o vazamento desse líquido?

O ideal seria cremar os corpos. É a solução sanitária. Como não se pode impermeabilizar o fundo da sepultura, porque é preciso a troca de gases para ajudar na decomposição, pode-se usar um colchonete com um produto chamado necroblendas, que absorve o necrochorume. Também podem-se colocar saquinhos com esse produto, já fabricado em São Paulo e bastante utilizado na Europa, dentro do caixão antes do sepultamento.

E para o solo já contaminado?

Fazem-se furos no solo e injeta-se solução aquosa, o necroxidante, que vai lavando o caminho no subsolo e desinfeta. Antigamente se usava cal virgem. / E.R.

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