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Entrevista.

Para presidente do Ipea, dado incorreto sobre violência contra a mulher não desacredita instituto nem invalida estudo

'O erro na pesquisa foi uma fatalidade'

Vinicius Neder

07 Abril 2014 | 02h 01

RIO  - O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, rebateu as críticas recebidas após a admissão do erro, na última sexta-feira, no estudo sobre a percepção dos brasileiros em relação à violência contra as mulheres, divulgado uma semana antes. O órgão informou que 26% dos brasileiros, e não 65%, concordam, total ou parcialmente, com a afirmação de que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas".

Para ele, o erro foi "uma fatalidade", não está relacionado a uma suposta perda de foco do Ipea, como sugeriram alguns críticos, e não invalida as conclusões gerais do estudo.

"Foi o famoso erro de planilha", disse Neri, também ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), em entrevista exclusiva ao Estado. Destacando a importância de o erro ter sido reconhecido publicamente, Neri comparou o caso a uma troca de dados identificada em um famoso artigo de coautoria de Kenneth Rogoff, professor da Universidade Harvard e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), que seria descoberto ano passado, três anos após publicado.

Houve problemas de metodologia na pesquisa?

O problema que notaram afeta todas as pesquisas domiciliares. Quando você faz uma pesquisa do tipo, você entrevista quem está no domicílio. Há um viés, de alguma forma. Outra possibilidade é fazer uma entrevista com pessoas em trânsito, que é muito mais barata, mas aí você não pega as pessoas que estão em casa. A pesquisa tem uma proporção de mulheres maior do que a da população, mas não é um problema dessa pesquisa, é das pesquisas domiciliares. Mas, na verdade, isso não ajuda a explicar os resultados. Isso piora o problema. Se a pesquisa identifica machismo, isso (a maior proporção de mulheres) indica que ele poderia ser maior.

Houve problemas com a revisão e a divulgação da pesquisa?

Nesse caso, foi até certa fatalidade. Houve um erro de troca de números. Agora, o resultado geral da pesquisa, a tendência não muda. Muda o grau, mas não muda a conclusão geral, de que existe certa permissividade, certa tolerância com a violência contra a mulher. O crítico que fala que o Ipea está perdendo o foco pode perguntar o que o instituto tem a ver com a questão de gênero. Se você olhar a agenda da ONU (Organização das Nações Unidas), do Banco Mundial, da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), vai ver que essa questão é fundamental. As mulheres não são a minoria da população. São a maioria e há políticas que precisam ser desenhadas.

Então o erro foi uma fatalidade?

Foi o famoso erro de planilha. Houve uma troca. Tenho certo orgulho da humildade de reconhecer o erro. Teve o erro, fomos lá e assumimos. Quero ver quais são as instituições que assumem seus erros. E os autores e diretores que tomam a decisão que foi tomada (Rafael Osorio, responsável pelo estudo, renunciou ao cargo).

Com essas decisões, a credibilidade do Ipea fica preservada? Nesse caso, foi uma coisa que dói muito, envolvendo uma pessoa com o gabarito que o Rafael tem como pesquisador. Mas ele sai por cima, ele caiu em pé. Faz parte, daria tudo para não ter acontecido.

Qual a importância de o Ipea inovar suas metodologias na direção das pesquisas de percepção?

Se não evoluir nisso, o instituto se torna um dinossauro em extinção. Pesquisar percepções é uma tendência forte. Não era tão reconhecida na economia, mas a partir do Prêmio Nobel dado há alguns anos para o pessoal que mexe com economia da felicidade, isso mudou (um dos nomes próximos a esse campo a ser laureado com o Nobel foi Daniel Kahneman, em 2002). Suspeito, não é uma coisa empírica, que é um dos campos que mais avançam (na economia).

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