O dia a dia ao lado do perigo

O dia a dia ao lado do perigo

Todo dia o ajudante-geral Felix da Silva sai de sua casa na favela do Boi Molhado, atrás do Cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, atravessa a rua, entra pelo muro da necrópole e caminha até chegar à Avenida Deputado Emílio Carlos, para pegar o ônibus e ir trabalhar. Passa ao lado de túmulos e já se acostumou com a situação. Nunca pensou, diz ele, que poderia correr perigo de contrair alguma doença por causa da água que escorre do morro. "Para mim, isso é água de alguma mina ou da chuva, que fica empoçada debaixo da terra e vaza", conta.

, O Estadao de S.Paulo

05 Abril 2010 | 00h00

Silva e uma infinidade de moradores dos núcleos vizinhos ao cemitério também fazem o mesmo percurso para cortar caminho. As vias da necrópole viraram passeio público. Tem dias que até mesmo crianças utilizam o local para empinar pipas.

"A gente ganha uns 20 a 25 minutos cortando caminho por dentro. Agora vou tomar cuidado com onde piso", explica a diarista Rubineia Macedo.

Uso irregular. Já no Cemitério da Vila Formosa, uma mina d"água dentro da área de sepultamento é utilizada por moradores vizinhos e até por moradores de rua que vivem ao lado dos muros do local. "Eu vou pegar água para jogar nas plantas. Antes a gente bebia, mas agora paramos", conta a aposentada Maria Emília Vasconcelos, que mora na Rua Maria Vieira Ribeiro, na lateral do cemitério.

José Adilson Cerqueira Silva, que vive há 52 anos na mesma rua, diz que, quando era criança, pegava peixinhos no córrego que saía da mina dentro do cemitério, mas hoje não utiliza mais o líquido. "Antes o pessoal tinha até poço em casa. Mas hoje tem tudo água encanada. Muita gente ainda usa a água da mina para lavar o chão, para as plantas. Até os mendigos vão tomar banho lá." / E.R.

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