O depoimento de quem passou a infância em um casarão

O casarão ao lado, de 1897, foi a terceira moradia a ser erguida na Avenida Paulista. Sua foto e sua história chegaram ao Estado por meio da leitora Anne de Bonneval, que passou a infância e viveu nesse casarão até julho de 1973. Ela é neta do barão do café Herculano de Almeida Prado Corrêa Galvão, que adquiriu uma gleba de 6 mil m² na Avenida - naquela época, ainda conhecida como "matagal". No local foi erguido o prédio do Banco Central.

EDISON VEIGA, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2011 | 03h05

A seguir, reproduzimos um trecho do depoimento de Anne à reportagem - e assim encerramos esta série de duas semanas em que mostramos os antigos casarões da Avenida Paulista.

"Quando eu era criança, a Avenida era quase uma cidade de interior. Às 5h, havia cantos de galo, de pássaros e dos padeiros entregando pão e leite com ajuda de uma carroça levada por um burrinho! Ainda lembro do barulho do sino e de seus cascos nos paralelepípedos. Vivi nesta casa até julho de 1973. Aquela mudança de casa foi para mim deveras traumática, como uma primeira morte. Lá deixava meus 23 pés de jabuticaba, meus 1.000 m² de horta, minhas caneleiras nativas e todos os mistérios que povoavam os porões desta casa. Muitas vezes, eu subi a Bela Cintra até a Avenida Paulista e me prostrava na frente da casa que, a cada dia, tinha algo sendo destruído. Como puderam vender? Como puderam destruir e deixar destruir... Quando penso na minha casa, é nela em que penso, e não nas que vieram depois. Quero poder homenageá-la como responsável pelos momentos mais felizes da minha vida: a minha infância morando nela."

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