'Nunca na vida pensei em conhecer um teatro'

Vale tudo para chegar perto do ídolo: bilhete, choro, flores e, claro, alguns gritinhos. No mês passado, após apresentação de Fernanda Montenegro no CEU Vila Curuçá, zona leste, uma das espectadoras resolveu arriscar. Flores Rosa de Oliveira, de 60 anos, que já tem cadeira cativa no teatro, enviou um bilhete para atriz para "marcar um encontro". O papel dizia: "Fernanda, sou sua maior fã e te conhecer é o sonho da minha vida".

O Estado de S.Paulo

15 Julho 2012 | 03h07

Entregue a uma funcionária do CEU, o apelo não rendeu. "Amei a peça! Só não gostei que ela (Fernanda) não tirou foto comigo. Tenho foto com Luiza Possi e vários outros famosos."

Moradora da região, Flores frequenta o CEU quatro vezes por semana. Lá faz ginástica, encontra amigos e participa ativamente da programação cultural. A "primeira vez" dela em um teatro ocorreu em agosto, quando assistiu a O Amor e Outros Estranhos Rumores, com a atriz Debora Fallabela. "Nunca na vida pensei em conhecer um teatro. Minha oportunidade é aqui, tenho de aproveitar."

Apesar da pouca experiência, a aposentada tem seus truques e até lugar reservado para ver as peças. "Quarta fileira, cadeira do meio. É a minha preferida." Idosa, ela tem o privilégio de entrar antes e, por isso, consegue escolher a poltrona. Assim que chega, guarda cadeiras para a irmã e o marido. "Primeira fila é muito ruim. Na quarta, ainda estou bem perto do palco e consigo ter visão ampla."

E qual espetáculo gostaria de ver ali? "Peça eu não sei de nome. Mas bem que o José Mayer, o Tarcísio Meira e o Francisco Cuoco poderiam visitar a gente aqui na zona leste. Sou tiete mesmo. Sempre fico depois para conversar com os artistas."/ J.D. e A.F.

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