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Número de roubos aumenta pelo 12º mês consecutivo

Daniel Trielli, Luciano Bottini Filho e Fabiana Cambricoli - O Estado de S. Paulo

25 Junho 2014 | 22h 45

Com um caso a cada minuto e meio, total de crimes registrados em maio é o maior desde janeiro de 2012

SÃO PAULO - Os roubos aumentaram pelo 12.º mês consecutivo em maio tanto no Estado quanto na capital paulista. Só no mês passado a polícia paulista registrou 28.336 ocorrências, sem contar a de roubos de veículos (ou uma a cada um minuto e meio), o que representou não só um aumento de 33,6% em comparação com maio de 2013 como também o maior número mensal de casos desde os primeiros dados disponíveis na Secretaria da Segurança Pública (SSP), de janeiro de 2012.

A cidade de São Paulo teve um aumento ainda maior em maio: 41,9%. Com 14.716 casos, a capital também teve o maior número mensal de roubos desde janeiro de 2012.

Segundo a SSP, 45,2% dos roubos registrados de janeiro a maio deste ano foram de documentos. Em segundo lugar vêm os aparelhos celulares (17,1%). Os pedestres são as maiores vítimas com 46,8% dos casos no período. Estabelecimentos comerciais correspondem a 7,1% e roubos de vítimas dentro de veículos, 6,6%.

O governo paulista ainda não tem uma explicação para o aumento nos crimes contra o patrimônio. “Não adianta atribuir o aumento de roubo só a causas sociais. Mas isso não explica nem justifica. São várias as causas. Se a gente tivesse a clareza de quais são as efetivas causas, seria muito mais fácil”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.

Veículos. Se considerados só os roubos de carros, o aumento no mês passado foi de 13,9% no Estado e de 3,7% na cidade de São Paulo. Os dois também completam 12 meses de altas.

Para tentar conter esse avanço, o governo do Estado coloca as fichas na Lei de Desmanches, sancionada em janeiro pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). A legislação determina que, para comercializar peças de veículos, as empresas terão que manter cadastro no Departamento de Trânsito (Detran) e na Secretaria da Fazenda. Isso restringiria a atuação de desmanches ilegais e, segundo o governo, “quebraria a cadeia econômica do crime”.

“Começa a partir de início de julho o fechamento dos desmanches”, afirmou Alckmin, ontem. “Isso vai ajudar muito porque hoje uma motocicleta é desmanchada em 20 minutos. Nós vamos fechar os desmanches. O prazo termina em 30 de junho, então vai haver uma blitz importantíssima, fechando desmanche que não esteja rigorosamente dentro da lei.”

O governador também destacou o efetivo. “Estamos aumentando o número de policiais nas ruas, acabamos de contratar mais 5 mil policiais militares no seu horário extra para escolas. Não são só estas medidas, mas um conjunto de outras medidas, como bonificação, meritocracia e integração das ações.”

Além disso, Grella lembrou que, no começo do mês, fez parte de uma comitiva de secretários de Segurança Pública da Região Sudeste que foi a Brasília para exigir um pacote de 13 mudanças legislativas no sistema penal. “Não insisto apenas nisso (leis mais duras). Não estamos querendo resolver o problema só com mudança legislativa. Temos a Lei dos Desmanches, o Detecta (novo sistema de monitoramento eletrônico da criminalidade, iniciado em abril) e a contratação de um grande número de policiais em período de tempo curto.”