Número de latrocínios cai 29,6% na capital

Sete em cada 10 casos de roubos seguidos de morte ocorrem entre 18h e 6h; Cambuci teve queda de 73% nos roubos a carros

Bruno Paes Manso, Jomar Jozino, Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2010 | 00h00

O número de casos de latrocínio (roubo seguido de morte) na capital caiu 29,6% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. A melhora no mais grave dos chamados crimes contra o patrimônio ocorre ao mesmo tempo em que os roubos em geral e os de veículos experimentaram a maior queda desde 2008 na metrópole. Esses mesmos delitos haviam batido recordes históricos de alta em 2009.

O que teria provocado essa queda repentina? Duas são as principais hipóteses com as quais a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e a polícia trabalham. A primeira é o fim da crise econômica. Quando viu explodir os índices de roubos em 2009, a Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP), da secretaria, encontrou na crise econômica o principal responsável pelo fenômeno. Segundo essa análise, a oscilação da criminalidade refletiria os ciclos econômicos - com a recessão, as estatísticas criminais pioram rapidamente, mas demoram mais do que a economia para se recuperarem.Outro fator que influiu na queda seria o fato de o governo ter elegido em março de 2009 o combate aos crimes contra o patrimônio como prioridade.

De 2000 a 2009 os homicídios sofreram uma queda de até 70% na capital, mas os roubos não haviam acompanhado essa tendência. Eles chegaram a registrar alta recorde no 2.º trimestre de 2003, quando então caíram ao mesmo patamar dos anos 1990.

Foi isso que ocorreu, por exemplo, na área da 5.ª Seccional, onde o planejamento de combate aos roubos de veículos fez o trimestre fechar com 931 casos de roubos - 379 carros a menos levados pelos ladrões do que em 2009. Para tanto, os investigadores fizeram um mapa dos roubos e dos furtos na região do Tatuapé e do Jardim Anália Franco. Ali a polícia descobriu que os carros mais furtados, por exemplo, eram modelos populares, como Gol, Uno e Celta. As marcas preferidas pelos ladrões eram a GM e a Volkswagen. As cores mais levadas eram o prata, o preto e o cinza, e os anos preferidos, 2005, 2007 e 2008.

Queda expressiva. Na região da 1.ª Delegacia Seccional, a queda dos roubos de carros também foi expressiva. Ao todo, esse crime caiu 29,24% no período. O Cambuci liderou esse movimento, registrando uma queda de 73% nos casos, seguido pelo Brás e pelo Pari, cada bairro com cerca de 48% a menos de casos. Os mesmos bairros contaram com a maior redução dos roubos em geral - inverteram apenas a primeira posição. Nesse caso, o Pari liderou a queda (-61%), seguido pelo Cambuci (-55%).

Para a polícia, a diminuição dos latrocínios está intimamente ligada à queda dos outros crimes contra o patrimônio. "Partindo do pressuposto de que o ladrão tem a intenção de roubar e não de matar, é natural que a diminuição dos casos de roubos leve, consequentemente, a uma queda do total de roubos seguidos de morte", afirmou um delegado ouvido pelo Estado.

Noite. Os casos de latrocínios se concentram entre o anoitecer e a alvorada seguinte (68% dos casos). Mais da metade dos crimes (52,6%) ocorreu em janeiro (fevereiro e março ficaram com cerca de 25% cada), o que pode indicar uma tendência de queda.

Os dados publicados pelo Estado têm como base o registro das ocorrências. Um ou outro ajuste no índice final pode ocorrer, por exemplo, pelo preenchimento errado de algum boletim. Os erros são de no máximo 5%.

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