Novo presidente do Metrô de SP toma posse

Ex-presidente da CDHU e ex-subprefeito, Luiz Antonio Carvalho Pacheco, foi aprovado por conselho da empresa

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

11 Junho 2013 | 14h31

SÃO PAULO - Foi aprovado na manhã desta terça-feira, 11, o nome do administrador Luiz Antonio Carvalho Pacheco para ocupar a presidência do Metrô de São Paulo. O Conselho de Administração da empresa, que é controlada pelo governo do Estado, deliberou por aprovar a sua indicação para o cargo, revelada na semana passada. Ele é alvo de um processo de improbidade administrativa.

Pacheco, que vinha trabalhando como secretário-adjunto dos Transportes Metropolitanos, é o quarto presidente do Metrô em menos de dois anos. Ele substitui o engenheiro eletricista Peter Berkely Bardram Walker, que assumiu o posto em abril do ano passado.

Um dia depois de Walker ser indicado, o Estado revelou que ele havia sido condenado em primeira instância por improbidade administrativa em um processo referente ao período em que ocupou a presidência da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), de Campinas, nos anos 1990. O caso ainda está sendo julgado em segunda instância.

No mês passado, em uma palestra no sindicato da habitação (Secovi), Walker comparou a pinguins os passageiros do Metrô que ficam nas filas da Estação Corinthians-Itaquera no horário de pico. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), embora tenha sido questionado sobre essa declaração, não se manifestou publicamente. Walker voltará a ocupar o posto de secretário-adjunto.

A assessoria de imprensa do Metrô informou que ele já tinha o compromisso de presidir a companhia "apenas temporariamente", enquanto outro nome era estudado.

Ex-subprefeito de Santana/Tucuruvi e formado em Administração de Empresas e Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o novo presidente é réu em um processo de improbidade administrativa iniciado em 2004, em curso na 3.ª Vara de Fazenda Pública.

De acordo com o Ministério Público Estadual, Pacheco, como ex-presidente da Companhia Estadual de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), e outros dirigentes da empresa teriam favorecido o Consórcio PQR Engebanc em licitações, o que supostamente causou prejuízo de mais de R$ 19 milhões. O caso ainda não rendeu sentença.

Sem problemas. Na semana passada, o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou que "não tem nada que tenha problema", ao ser perguntado sobre a indicação de outro nome que sofre processo por improbidade administrativa.

"Eu nem fui atrás. Como já tinha sido aprovado o nome dele, nós conversamos e a gente faz esse levantamento. A pedido dele mesmo, o Pacheco levantou, disse que não há problema algum e eu nem fui atrás para saber o que é", disse. A preparação de Pacheco para o cargo, segundo Fernandes, durou quatro meses.

Antecessores. Antes de Pacheco e Walker, sentou-se por 15 dias na cadeira de presidente do Metrô, em abril de 2012, José Kalil Neto, diretor de Finanças da empresa. Dias após ser apontado para o cargo, o Estado mostrou que ele tinha uma condenação em primeira instância por improbidade administrativa quando era diretor da Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), em 2007.

Neto, por sua vez, veio em substituição ao advogado Sérgio Avelleda, que deixou a presidência do Metrô meses após ter sido momentaneamente afastado pela Justiça, por suspeita de fraude na licitação das obras da Linha 5-Lilás. Avelleda chegou ao cargo em 2011, no início da atual gestão de Alckmin.

Integram o Conselho de Administração do Metrô de São Paulo, que referendam o nome do presidente da empresa, o próprio Jurandir Fernandes (que é seu presidente), além de Walker, o ex-governador tucano Alberto Goldman, Almino Monteiro Álvares Affonso, Ruy Martins Altenfelder Silva, José do Carmo Mendes Junior e o secretário municipal de Governo da gestão Fernando Haddad (PT), Antonio Donato.

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