Novidades para um ano que começa

O ano de 2015 promete em termos de novas tecnologias para combater algumas das infecções que ameaçam a saúde. Embora a prevenção ainda seja a melhor arma para se evitar a maior parte delas, novos remédios, esquemas terapêuticos e vacinas vão dar o que falar no ano que começa. Reunimos algumas dessas promessas abaixo.

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo; Jairo Bouer

04 Janeiro 2015 | 02h00

Aids. No Brasil, embora exista uma estabilização da epidemia há alguns anos, ainda existe muita preocupação com alguns grupos, como o dos homens (principalmente os mais jovens) que fazem sexo com outros homens. Para aqueles que se expõem seguidamente a riscos, uma das estratégias mais discutidas em 2014 foi a PrEP (profilaxia pré-exposição), que consiste em tomar uma pílula diária, de forma preventiva, para reduzir a chance de infecção. Em alguns países a tecnologia já está aprovada e disponível. Por aqui, alguns estudos testam a aderência ao método e o Ministério da Saúde estuda a viabilidade. Uma nova linha de pesquisa avalia o uso da PrEP intermitente (um comprimido apenas antes da relação sexual de risco e nos dois dias seguintes). Com 90% das pessoas soropositivas diagnosticadas, tratadas e com carga viral indetectável, a Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que se possa zerar a transmissão do HIV em 2030. Será viável?

HPV. O vírus responsável pelas verrugas genitais e pelo câncer de colo de útero pode ser evitado com uma vacina. O esquema de vacinação gratuita foi iniciado em 2014 no Brasil para as garotas de 11 a 13 anos. Houve muita resistência da população à vacina, em especial à segunda dose. No esquema do Ministério da Saúde, ela foi dada seis meses após a dose inicial. Há, ainda, uma terceira dose prevista para daqui a cinco anos. Em 2015 serão vacinadas as garotas de 9 a 11 anos. A vacina escolhida é a tetravalente (contra os quatro tipos de HPV mais ligados às verrugas e ao câncer). Uma nova vacina está sendo testada com nove dos tipos mais comuns de HPV (nonavalente). Além disso, algumas linhas de pesquisa apontaram, no último ano, que duas doses ou até mesmo uma dose única poderiam conferir níveis de proteção semelhantes às três doses dadas atualmente. A conferir!

Hepatite C. A doença que acomete no Brasil até três vezes mais pessoas que o HIV foi destaque no ano que se passou pelo surgimento de uma nova classe de medicamentos, que prometem eliminar o vírus do organismo em até três meses com alta eficácia. Os tratamentos disponíveis atualmente são longos, com muitos efeitos colaterais severos e com uma chance de sucesso bem menor. Um dos limites para essa nova tecnologia é o preço proibitivo dos novos antivirais. Espera-se que novas rodadas de discussão dos países interessados com a indústria farmacêutica flexibilizem a questão.

Ebola. A epidemia da doença ainda vai render muitos desdobramentos. Foram mais de 20 mil pessoas infectadas na África e cerca de um terço dos pacientes morreu. Apesar da diminuição no ritmo de novos casos, a OMS considera que só a partir do segundo semestre a situação ficará mais controlada. Novas vacinas estão sendo testadas em várias partes do mundo e algumas já demonstraram segurança e resposta inicial na produção de anticorpos. A esperança é que elas possam ser empregadas nas regiões mais acometidas pela doença ainda no fim de 2015 ou no início de 2016. Aqui é torcer! Bom começo de ano para todos!

É PSIQUIATRA

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