Nove PMs estão presos acusados de torturar e matar motoboy em SP

Vítima apareceu morta após ser levado para quartel na zona norte

Josmar Jozino, de O Estado de S. Paulo, e Solange Spigliatti, do estadão.com.br

23 Abril 2010 | 10h32

Mais um policial militar foi preso acusado de participar da morte de um homem, de 30 anos, na zona norte de São Paulo, ocorrida na semana passada. Segundo a Polícia Militar, ele foi detido na madrugada desta sexta-feira, 23, e levado para a Corregedoria da Polícia Militar.

 

O motoboy Eduardo Luís Pinheiro dos Santos foi encontrado morto em Santana, três horas depois de ser abordado por policiais militares na Casa Verde, zona norte de São Paulo, e ser levado para a 1ª Companhia do 9º Batalhão com outros três rapazes.

 

Testemunhas disseram à Polícia Civil que o rapaz foi torturado, espancado e humilhado no quartel, no fim da noite do último dia 9. Oito PMs estão recolhidos à Corregedoria da PM.

 

Caso

 

Três horas depois de ser abordado por policiais militares na Casa Verde, zona norte de São Paulo, e ser levado para a 1.ª Companhia do 9.º Batalhão com outros três rapazes, o motoboy Eduardo Luís Pinheiro dos Santos, de 30 anos, foi encontrado morto em Santana, na mesma região. Testemunhas disseram à Polícia Civil que o rapaz foi torturado, espancado e humilhado no quartel, no fim da noite do dia 9. Oito PMs foram presos nesta quinta-feira, 22.

 

O secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, informou ontem, em nota, ter determinado que as Polícias Militar e Civil façam "a mais rigorosa apuração dos fatos". A nota diz que a secretaria "não compactua com esse tipo de procedimento, que considera abominável".

 

De acordo com informações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Santos sofreu traumatismo cranioencefálico. O corpo do motoboy apresentava hematomas e foi encontrado por PMs do mesmo batalhão para onde havia sido levado na noite de sua morte. A vítima estava com a calça arriada e sem camisa.

 

O DHPP pediu à PM as fotografias e a escala de serviço de todos os policiais que trabalharam na noite daquele dia e na madrugada seguinte, dia 10 deste mês. O porta-voz da Corregedoria da PM, major Reinaldo Zychan, disse ontem que os oito presos começaram a ser ouvidos. Um dos suspeitos de participação é o soldado Antonio Sidney Rapelli. O porta-voz não confirmou se Rapelli é investigado.

 

A noite da morte

 

A equipe E-Leste do DHPP apurou que, na noite do dia 9, Santos pediu ajuda a um amigo açougueiro para procurar a bicicleta do filho que havia sido furtada. Eram por volta das 21 horas quando o motoboy encontrou três rapazes na esquina da Rua Maria Curupati com a Avenida Casa Verde. Os quatro começaram a discutir. Os rapazes disseram que não haviam furtado a bicicleta.

 

Ainda de acordo com a Polícia Civil, durante a discussão, chegaram as viaturas 09145 e 09149. Os PMs desceram e perguntaram aos quatro o que estava acontecendo. Um PM deu um soco no peito de Santos.

 

Inconformado, o motoboy quis saber o motivo da agressão e derrubou o PM. Santos foi colocado em uma viatura e levado para a sede da 1.ª Companhia do 9.º Batalhão, situada ao lado do 13.º DP (Casa Verde). Os três rapazes entraram na outra viatura e foram para o mesmo local.

 

Nos primeiros minutos do dia 10, os PMs perguntaram aos três rapazes se eles queriam prestar queixa contra Santos. Eles disseram que não e foram liberados em seguida.

 

Agressões

 

As testemunhas contaram no DHPP que Santos foi torturado e levou chutes e socos. Disseram ainda que cada PM que chegava ao quartel ouvia dos colegas que Santos havia xingado todos. Cada um que entrava no serviço batia no motoboy. O Departamento de Homicídios apurou que até policiais femininas participaram das agressões.

 

Por volta de 0h10, PMs da viatura 09145 avisaram o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) que haviam encontrado um homem negro caído na esquina da Avenida Brás Leme com a Rua Voluntários da Pátria. Os PMs avisaram ainda que iriam levar a vítima para o Pronto-Socorro de Santana. Santos já chegou morto ao hospital.

 

Os PMs comunicaram o óbito no 13.º DP às 2h15. "A família prestou queixa de desaparecimento no dia 13, achou o corpo no IML no dia 14 e nos procurou no dia 16", disse Elisabete Sato, delegada do DHPP.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.