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Segurança Pública

Saiba quem são os 12 criminosos ‘superprocurados’ pela polícia de SP

No topo da lista de foragidos da Justiça, há traficantes, assaltantes, estupradores e assassinos, cujas penas ultrapassam 150 anos de prisão

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Alexandre Hisayasu

20 Março 2017 | 05h00

SÃO PAULO - Fabiano Alves de Souza, o Paca, e Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, são criminosos procurados pela Justiça, mas não são bandidos comuns. Segundo o Ministério Público de São Paulo, os dois fazem parte da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) e são “as vozes” da facção criminosa fora dos presídios. A suspeita das investigações é que ambos estão no Paraguai atuando no tráfico de drogas e armas. Além deles, outros bandidos são considerados “superprocurados” pela polícia.

Embora cada delegacia tenha a sua própria lista de foragidos, o Departamento de Capturas e Delegacias Especializadas (Decade) centraliza as buscas por bandidos com mandados de prisão e tem uma lista dos doze mais procurados do Estado. São traficantes, assaltantes, estupradores e assassinos, cujas penas ultrapassam 150 anos de prisão.

Paca entrou para a lista em 2011, após não retornar da saída temporária de Páscoa. Desde então, a polícia tem feito seguidas operações para tentar prendê-lo. O bandido faz parte da Sintonia Final Geral, a cúpula máxima do PCC, que tem Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, como chefe e conta com outros sete integrantes. O nome de Paca aparece na lista de procurados de dois dos departamentos mais importantes da Polícia Civil de São Paulo, o Deic (que combate o crime organizado) e o Denarc (que investiga narcotraficantes).

Em 2013 e 2014, após três grandes operações feitas pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de São Bernardo do Campo, os investigadores conseguiram as primeiras pistas sobre o seu paradeiro. Confirmaram que ele estaria no Paraguai e assumiu a tarefa de negociar armas e drogas para a facção após a morte do traficante Jorge Rafaat, conhecido como “rei da fronteira”, em junho do ano passado. Ele foi morto em uma emboscada na fronteira com Mato Grosso do Sul. Autoridades locais suspeitam que o crime foi encomendado pelo facção paulista.

Segundo os investigadores, a pior dificuldade da investigação é que Paca não tem residência fixa e um número restrito de bandidos conversa com ele.

Porta da frente. Gegê do Mangue estava preso havia cerca de 10 anos. Em sua ficha criminal constam passagens por homicídios, roubos e tráfico de drogas. Por determinação do juiz Deyvison Heberth dos Reis, da Vara de Execuções de Presidente Prudente, deixou o presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau em 2 de fevereiro, 18 dias antes de ser julgado por duplo homicídio. Segundo o magistrado, sua decisão se baseou no pedido do Ministério Público da cidade, que solicitou a “impronúncia do réu (Gegê)” após uma testemunha negar que o bandido tivesse participado de um assassinato. A promotoria ignorou, porém, o fato de que, em dois depoimentos anteriores, a testemunha o havia acusado.

Welinton Xavier dos Santos, o Capuava, apontado pela Secretaria de Segurança Pública como o maior traficante de São Paulo, também saiu pela porta da frente da cadeia em 2015 por determinação do desembargador Otavio Henrique de Sousa Lima, que lhe concedeu habeas corpus (HC). A medida custou a carreira do magistrado, que foi investigado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e aposentado compulsoriamente por suspeita de libertar traficantes em troca de propina. Sousa Lima nega as acusações.

Capuava fora preso um mês antes em uma mansão em Santa Isabel, na Grande São Paulo, junto com mais quatro suspeitos. No local, policiais do Denarc apreenderam 1,6 tonelada de cocaína pura, 980 quilos de produtos para mistura, quatro fuzis – um deles capaz de derrubar um helicóptero –, munições e carros com fundo falso para transportar drogas.

Após o  Estado revelar a decisão do desembargador, o TJ-SP anunciou que o caso seria investigado e a Justiça decretou novamente a prisão preventiva de Capuava, que nunca mais foi visto. Segundo a polícia, informações mais recentes apontam que ele estaria na Bolívia e também no Paraguai ajudando o PCC a consolidar o domínio do tráfico de drogas e de armas para o Brasil.

Apontada como a traficante mais perigosa do Estado, Sônia Aparecida Rossi, a Maria do Pó, está há 11 anos foragida. Escapou da Penitenciária Feminina de Sant'anna, no Carandiru, na zona norte, em maio de 2006, e é a única mulher que aparece na lista dos bandidos mais procurados no site da Secretaria de Segurança Pública. Em 1999 foi apontada como a responsável pelo furto de 340 quilos de cocaína do Instituto Médico-Legal (IML) de Campinas, no interior.

Dificuldades. Segundo o diretor do departamento, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, a principal dificuldade da polícia é que o Código Penal não autoriza escutas telefônicas na captura de procurados pela Justiça. “Fazemos um trabalho de inteligência para descobrir e cruzar dados para localizar os foragidos”. Em média, a Divisão de Capturas do Decade prende de 30 a 40 procurados por mês. Entre os criminosos, o Decade está focado na prisão de assaltantes e próximos. 

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Relação inclui crimes de 'comoção'

Figuram na lista de foragidos pessoas que não haviam cometido delito até se envolverem em assassinatos brutais

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Felipe Resk

20 Março 2017 | 05h00

SÃO PAULO - Nem sempre os foragidos têm uma ficha extensa na polícia. Na lista dos mais procurados, figuram pessoas que nunca haviam cometido um crime, mas se envolveram em assassinatos que chocaram pela violência e pela motivação banal.

Um desses crimes mudou a rotina da Rua Engenheiro Alberto Schiesser, no Jardim Primavera, na zona norte. Antes tranquila, a vizinhança precisa conviver com batidas policiais desde 2013. Lá, morava Caio Rodrigues, condenado por matar o estudante Diego Ribeiro Cassas, de 18 anos, com quatro tiros no estacionamento do McDonald's, em Pinheiros, após uma briga em uma boate.

“Ninguém acreditou na notícia, o Caio era um menino doce”, diz a cabeleireira Ane Gomes, de 27 anos, moradora da região. Rodrigues sumiu logo após o crime e, mesmo com o passar dos anos, continuam as denúncias de que o foragido foi visto perto da casa. “Há um rapaz morando lá que é parecido com o Caio. Ele sempre mostra os documentos para provar que não é ele”, diz Ane.

O advogado de defesa, Ronaldo Tovani, diz que Rodrigues mudou de casa, mas nunca deixou o Jardim Primavera. “A polícia já foi lá várias vezes. Chega pela frente, o Caio sai pelos fundos. Eles fazem muito alarde, chegam em 20 viaturas, tocando sirene”, afirma.

Rodrigues foi julgado à revelia. Segundo Tovani, contudo, ele estava no fórum durante o júri. “Ficou aguardando na lanchonete”, diz. “Ele esperou o término porque eu iria apresentá-lo de imediato ao juiz, mas, como o promotor apelou, entendemos que ele deveria aguardar o julgamento da apelação.”

Os investigadores não acreditam na versão do advogado. Para os policiais, o condenado está fora do Brasil. Uma das suspeitas é de que ele esteve no México, junto com a mãe.

A família de Diego Cassas oferece dinheiro pela captura do assassino. Em redes sociais, é comum a mãe da vítima, Rosana Cassas, pedir por Justiça e, não raro, se refere a Rodrigues como “demônio”. “Cuidado com o amanhã, aqui se faz, aqui se paga”, escreveu.

Mais antigo. O procurado mais antigo é o sul coreano Woo Young Choi, o “Renato”. Ele é acusado de matar a facadas a estudante Juliana Maria Daniello Dias, de 19 anos, no elevador de um prédio no Cambuci, no centro, em 1997. Na época, Choi tinha 24 anos, morava no Brasil e vivia do dinheiro da mãe. Segundo a polícia, era usuário de drogas.

Após descobrir rápido a autoria do crime, os policiais acreditaram que seria fácil prender Choi. “Ele simplesmente desapareceu, tenho quase certeza de que foi para outro país”, afirma o delegado Marco Antonio Desgualdo, que atuou nas investigações do DHPP.

A mãe e a namorada dele viajaram para a Coreia do Sul pouco depois do assassinato, deixando para trás carro, apartamento e roupas. A mãe morava no oitavo andar do prédio onde o crime ocorreu. Juliana, no nono.

Para tentar levantar pistas, foram chamados até policiais que não eram do DHPP, mas que falavam coreano. Também foram acionadas a Interpol e a Polícia Federal, mas nunca houve registro dele em voo internacional no País. Por isso, a principal hipótese é que Choi tenha ido para Foz do Iguaçu, no Paraná, e depois cruzado a fronteira para o Paraguai. Uma vez fora do Brasil, seria mais fácil sair de avião.

Interior. Outro caso que causa espanto é do vigia Aurelito Borges Santiago, que desapareceu na frente de todo mundo em 2014. Ele chegou a sentar no banco dos réus, aguardando o júri que o condenaria a mais de 21 anos de prisão, mas fugiu do Fórum da Barra Funda, enquanto os jurados discutiam sua sentença. 

Santiago matou pelas costas o estudante Rodrigo Cintra de Prado Pereira Bonilha, de 18 anos, em Ribeirão Preto, em 2008. “É tudo surreal”, diz Fernando Bonilha, pai da vítima. “Para entrar no fórum, perguntaram quem eu era, passei por detector de metais. Mas não observaram se ele ia fugir ou não.”

Há suspeita de que Santiago se escondeu na Bahia, onde nasceu. “A sensação é de total impunidade. Não temos nem a quem recorrer”, diz Bonilha. “O pior é que um elemento perigoso está solto e pode fazer outra vítima.”

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