No site oficial, mapa de risco ainda é o de 2005

Geo-Rio, que preparou documento, diz que página na internet está desatualizada, mas não divulgou levantamento mais recente

Felipe Werneck, do Rio, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2010 | 00h00

Até o fim da tarde de ontem, uma semana após a enxurrada que matou pelo menos 65 pessoas na capital, o "Mapeamento de Risco Quantitativo a Escorregamentos" mais recente no site da prefeitura do Rio era de novembro de 2005. O documento, preparado pela Fundação Geo-Rio, aponta "32 setores de risco" em encostas da cidade.

Procurada, a Geo-Rio informou que "o site está desatualizado". Apesar de afirmar que o levantamento é "constantemente atualizado", a fundação não quis divulgar um mapa mais recente. "Vou pedir para tirar do site. Não se coloca o mais novo agora porque estão atualizando, não está fechado", informou a Assessoria de Imprensa da Geo-Rio.

Financiado pelo Ministério das Cidades, o mapeamento mostra o índice de risco em cada subárea dos setores, "permitindo o estabelecimento de uma hierarquia para a implementação de intervenções voltadas para a prevenção de desastres". O Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no centro, onde os deslizamentos de terra mataram pelo menos 30 pessoas na semana passada, não aparece.

Ranking. Além da caracterização geológico-geotécnica, a Geo-Rio fez um levantamento do histórico de acidentes associados a escorregamentos e das intervenções voltadas para a prevenção. O resultado foi um ranking com o Índice Quantitativo de Risco (IQR) de cada setor.

Apesar de a Geo-Rio informar que o mapa de riscos mais atual não está pronto, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) divulgou uma relação de 3.693 famílias de 9 comunidades que vivem em áreas de risco "imediato" e serão removidas. Paes afirmou que partiu de "análise técnica".

Ele visitou o local que deverá abrigar as famílias dos Morros dos Prazeres e do Fogueteiro. Lá, restam destroços do Complexo Penitenciário da Frei Caneca, implodido em março, ao custo de R$ 12 milhões. "Esperamos começar as obras em 90 dias. A prefeitura vai comandar a escolha de quem vem morar. Até o fim do ano teremos um lugar de gente morando sem risco. Chega de demagogia, chega de ocupar encostas", declarou Cabral.

Pagamento. Paes afirmou ainda que as famílias desabrigadas não vão pagar nada pelos novos apartamentos. "O aluguel de emergência vai valer até que essas pessoas entrem em uma casa definitiva."

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