No litoral, bandidos mantêm crianças por 20 dias em cativeiro

Casal de irmãos, de 6 e 7 anos de idade, mora em condomínio de luxo de Santos. Sete suspeitos acabaram presos

Rejane Lima / SANTOS, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2010 | 00h00

Após 20 dias mantidas em um cativeiro na Praia Grande, Baixada Santista, duas crianças nascidas na Suíça foram libertadas por policiais da Delegacia Especializada Antissequestro de Santos (Deas). Os irmãos - um garoto de 6 anos e uma menina de 7 - passam bem. Sete pessoas foram presas na operação.

O sequestro ocorreu às 7h30 do dia 31, no bairro do Marapé. Filhas de um alemão e uma brasileira, as crianças foram levadas quando iam do condomínio do Morro Santa Terezinha para a escola, no bairro da Aparecida. O residencial tem imóveis de R$ 3 milhões a R$ 10 milhões.

As crianças, a mãe e o motorista da família estavam em um Citröen quando foram abordados por quatro bandidos armados. A mãe e o motorista foram abandonados três horas depois em Praia Grande. No dia seguinte, ocorreu o primeiro contato. Inicialmente, a quadrilha pediu R$ 10 milhões, mas baixou o valor para R$ 1 milhão.

"Fizemos um levantamento ao longo desses dias, descobrimos que se tratava de uma quadrilha do litoral sul", explicou Niêmer Nunes Júnior, delegado da Deas. Os sequestradores ameaçaram mutilar as vítimas.

Na noite de terça-feira, a polícia invadiu o cativeiro, uma edícula de três cômodos no Jardim Melvi, na Praia Grande. As crianças estavam deitadas em uma cama e passavam bem. "Elas comiam, tomavam banho e passavam o dia assistindo a DVDs de desenhos", disse Nunes.

No cativeiro, foram presos José Carlos dos Santos, de 28 anos; o vigilante Carlos Antonio Carvalho Honorato, de 39; e o estudante Fábio da Rocha Santos, de 28.

A polícia também prendeu outras quatro supostos envolvidos - Jean Alencar Pinheiro, de 20, que seria o negociador; Carlos Alberto da Silva Júnior, de 27; Fabiana Santos Souza, de 32; e Gisele Alves Pereira da Silva, de 21. "Essa quadrilha também esteve envolvida com o sequestro de um joalheiro de Peruíbe, em novembro de 2008", disse Nunes.

DUAS PERGUNTAS PARA...

Fernando Asbahr

PSIQUIATRA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE SÃO PAULO

1. O que o trauma pode gerar para crianças?

Podem ter uma revivência da situação traumática em imagens, pesadelos e reações sobressaltadas com barulhos. O mais terrível é ter ficado longe da familia. É um trauma horroroso. Pode provocar na criança sensação de desassosego, comportamento de isolamento, apatia e desinteresse em brincar com os amigos.

2.E para superar?

É fundamental fazer uma avaliação e um acompanhamento psicológico e continuar observando. O tratamento é individual.

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