'No hospital, várias pessoas diziam ter visto disco voador'

A sanitarista e psiquiatra Wellaide Cecim, de 58 anos, tinha acabado de se formar em Medicina quando, em 1977, aos 22 anos, foi trabalhar na Ilha de Colares, no Pará. Cética, não deu atenção aos primeiros relatos de moradores sobre visita de naves espaciais. A descrença deu lugar à curiosidade quando percebeu que a cidade estava se esvaziando e a Aeronáutica mandou pelotão para apurar o caso - mais tarde chamado de Operação Pratos, em alusão à forma das naves.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

16 Junho 2013 | 02h04

Como foi seu primeiro contato com a ufologia? Aos 22 anos, achava que quem dizia que via marciano era doido. Foi então que começaram a passar pelo hospital várias pessoas da área rural que diziam ter visto disco voador.

Por que mudou de ideia? Na primeira vez, você desconfia. Na segunda e na terceira, também. Mas eram muitos casos. Comecei a pensar: como os relatos podem ser tão idênticos e virem de pessoas que não se conhecem?

A senhora notou algum sinal estranho nessas pessoas? Essas pessoas que diziam ter encontrado ETs tinham queimaduras na região do pescoço e tórax e, em menos de duas horas, apresentavam necrose. Experimenta queimar seu dedo. Só vai necrosar um dia depois. E essa queimação deixava as pessoas enfraquecidas. Todas tinham a mesma história, diziam que acordavam com uma luz paralisante em cima delas.

Como a Aeronáutica entrou na história? Chegou uma hora em que só tinha eu, o prefeito e o padre na cidade. As pessoas estavam em pânico, indo embora. Os avistamentos eram diários. Foi aí que o prefeito procurou a Aeronáutica. Mandaram 33 militares.

A senhora chegou a ver naves? Sim, várias vezes. Eram redondas, como um prato. E dava até pra ver que tinha alguém dentro, pela silhueta.

O que essa experiência mudou na sua vida? Se alguém disser que passou por uma coisa dessas e voltou a ser o que era está mentindo. Você muda seus conceitos. Eu mesma não acreditava. Fui ridicularizada por amigos, recebi vários repórteres que me perguntavam coisas em tom de deboche. Passei a pesquisar o assunto, mas nunca fiz disso meu ganha-pão. Depois, acho que fiquei bem mais simples, bem mais pé no chão, mais introspectiva e passei a me achar um nada no universo. / T.D.

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