No feriado, motoristas vão enfrentar 10 gargalos em estradas de São Paulo

Reportagem rodou 1 mil km nas principais rodovias do Estado e constatou obras, deslizamentos, asfalto que cedeu e trânsito parado

Eduardo Reina, Renato Machado, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

Os motoristas que pegarem as estradas que cortam São Paulo no feriado prolongado de Finados vão se deparar com gargalos nas pistas que podem aumentar consideravelmente o tempo de viagem. A reportagem do Estado percorreu mais de 1 mil quilômetros nas principais ligações para o litoral e interior do Estado. Há pelo menos dez pontos que devem provocar congestionamentos em virtude de obras nas pistas, deslizamentos de terra e trechos em que o asfalto cedeu.

Entre terça e quarta-feira, a reportagem constatou problemas nas Rodovias Tamoios, Oswaldo Cruz, Régis Bittencourt e Fernão Dias. A situação mais grave foi encontrada na Rio-Santos, única ligação entre os litorais norte e sul após a descida da serra. A via também é o principal acesso para praias badaladas do litoral norte.

Há aproximadamente seis meses, um deslizamento de terra destruiu uma faixa da pista na altura do km 142, em Toque Toque Grande (São Sebastião) - a rodovia tem apenas uma faixa por sentido. As obras de reparo neste ponto começaram somente em setembro e não há previsão para a liberação total da via.

O resultado é que o trânsito precisa ser alternado, com os veículos de um sentido esperando os do outro passarem. Na terça-feira, dia em que a rodovia recebeu apenas o tráfego local, pequenas filas de veículos chegaram a se formar. A previsão da Secretaria do Estado dos Transportes para o feriado é de que 44 mil veículos usem a Rio-Santos.

"Esse lugar sempre tem problemas de deslizamentos. Se for um feriado muito movimentado, a região vai ficar parada com uma faixa só", diz o especialista em transportes e ex-presidente da Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa) Luiz Célio Bottura.

Um funcionário da obra contou que não há manta asfáltica para cobrir o buraco e a conclusão da obra vai atrasar. A Secretaria de Estado dos Transportes afirma que as obras serão entregues em novembro. "Não foi possível executar os serviços de drenagem e recomposição da plataforma sem interrupção do trânsito (Operação Pare e Siga), pois o local é encosta, sem largura suficiente para a passagem de dois veículos pelo desvio." O alto índice de chuvas na região torna difícil o trabalho para recompor a rodovia, alega a pasta.

A mesma rodovia apresenta obras para conter deslizamentos na chegada a Boiçucanga. A faixa da direita na subida está obstruída. "Foram executados chumbadores e está em andamento a execução de vigas de contenção em concreto, razão da necessidade de andaimes ao lado da pista", explica o governo.

Caminho livre. Os motoristas vão encontrar também rodovias sem obstruções. Na Dutra, a concessionária concluiu a obra para refazer parte da pista que havia desmoronado. Não há problemas na Anchieta, Imigrantes, Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco e Raposo Tavares.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Álvaro dos Santos

GEÓLOGO E EX-DIRETOR DO INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS (IPT)

1. As obras nas encostas não deveriam ser feitas durante o período seco?

As obras deveriam ter começado em abril, após o fim das chuvas. Isso porque algumas intervenções demandam tempo e não devem ficar prontas nem até o reinício das chuvas. E existem riscos em mexer com o solo úmido.

2. Quais são os riscos?

Normalmente, o solo fica mais instável quando sofre intervenção e a situação piora com as chuvas, podendo haver deslizamentos. Por isso, o tempo seco é melhor.

3. O que deve ser feito?

Deve-se evitar a erosão e a infiltração de água da chuva. Os locais críticos devem ser cobertos e a drenagem é necessária.

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