No centro, feira do rolo fica em frente da PM

Reportagem flagra comércio de celulares furtados e roubados na região da Praça do Correio; vendedores ainda oferecem armas e roupas de grife

Marici Capitelli, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

27 Abril 2010 | 00h00

Pelo menos 200 homens com centenas de celulares usados, alguns com sacolas cheias, vendem os equipamentos todos os dias em uma feira do rolo na Praça Pedro Lessa e na Rua Capitão Salomão, no centro. A procedência dos produtos é desconhecida, mas, se questionados, alguns vendedores não escondem que foram furtados ou roubados. Para a Polícia Civil, os aparelhos são fruto de crime.

O mercado ilegal, que ocorre na presença da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM), aterroriza comerciantes e moradores, que se dizem cansados de pedir providências. Polícias Civil e Militar e Secretaria Municipal de Segurança Urbana afirmam que estão trabalhando para combater o crime. Ontem, a PM fez algumas apreensões, mas, assim que deixou a área, os vendedores voltaram.

Além dos celulares, é possível encontrar produtos usados e roupas com etiquetas de grifes. Um vendedor de armas aceita pedidos de pessoas indicadas. A feira é realizada todos os dias, aproximadamente das 17 às 22 horas.

Na negociação. Durante três dias, a reportagem circulou pela feira. Em dois, se passou por turista em busca de um celular moderno e barato, além de outras pechinchas. Nos dois primeiros dias, a feira foi realizada na Praça Pedro Lessa. Assim que chegou, a reportagem foi assediada por vários vendedores.

Alguns tinham aparelhos em sacolas, outros em pochetes e a maioria segurava dois ou três celulares nas mãos. Um jovem casal tinha duas sacolas cheias de telefones. Os produtos ficavam com a moça, que permanecia sentada na Praça do Correio. O rapaz tentava negociar os dois aparelhos que tinha nas mãos.

Todos mostram os telefones enfatizando seus recursos, como acesso à internet, câmeras, capacidade da memória. Também permitem que o cliente coloque o próprio chip no aparelho para testar. Os preços variam de R$ 100 a R$ 200.

"Tem de tudo". Questionados sobre a origem dos produtos, os vendedores são evasivos: "Aqui é a feira do rolo, né? Tem de tudo." Três confirmaram que eram celulares roubados.

O clima no local é tenso. Um homem que se apresentou como "dono da feira" desconfiou da reportagem e foi direto: "Se você tentar prejudicar minha feira, vou ser obrigado a acabar com você". Ele chegou com três sacolas cheias de aparelhos novos, que negociava com os vendedores por preços entre R$ 5 e R$ 10. Disse que é dono de lojas, mas não explicou a vantagem de vender celulares a um preço baixo.

Em um dos dias, uma viatura da GCM passou boa parte do tempo estacionada em frente à feira. Mas os guardas não interromperam o mercado clandestino. Uma base de polícia comunitária funciona em frente. Em um dos dias, a presença de dois policiais militares nas proximidades não constrangeu os vendedores.

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