No Brasil, é comum divulgar sucesso e esconder problema

A sociedade da informação, propulsionada pela internet e por seus instrumentos de participação coletiva, requer uma nova postura governamental no trato da informação pública. Essa postura se fundamenta na transparência e na participação popular direta pela internet.

Análise: Vasco Furtado, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2010 | 00h00

Infelizmente, no Brasil, transparência com dados públicos é um ponto nevrálgico dos governos, os quais ainda tratam a publicação das informações como se fosse propaganda. É comum divulgar o sucesso e esconder as deficiências. A falta de transparência contribui para a baixa credibilidade nas informações veiculadas e consequentemente pouca adesão do cidadão sempre que sua participação se faz necessária.

Há dois anos, quando criamos WikiCrimes (www.wikicrimes.org), tínhamos, entre outros objetivos, mostrar o quanto esses problemas são particularmente relevantes no contexto da segurança pública (WikiCrimes é um software que permite o acesso e registro de ocorrências criminais no computador diretamente em um mapa digitalizado, com a mesma filosofia da enciclopédia eletrônica Wikipedia; parte-se do princípio de que a participação individual pode resultar numa sabedoria das massas).

As informações sobre ocorrências criminais são desencontradas, pouco transparentes e passíveis de manipulação. A tão desejada participação da sociedade no combate à criminalidade fica prejudicada e o que se vê de fato é uma elevadíssima taxa de crimes não notificados às autoridades.

Grã-Bretanha e Estados Unidos são exemplos de como o trato com a informação pública tem ganhado diferentes matizes. Nos Estados Unidos, as polícias mapeiam e disponibilizam ao cidadão detalhadamente os registros de ocorrências criminais. O nível de detalhe é tanto que se pode saber que carros estão sendo mais furtados durante a semana e onde. No site http://www.data.gov, mais de mil bancos de dados governamentais estão disponíveis para livre acesso e cópia para quem se interessar. Os britânicos têm o seu similar em http://www.data.gov.uk. Nossa vez está a passar.

É PROFESSOR DOUTOR DA UNIVERSIDADE DE FORTALEZA, INTEGRANTE DO FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA

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