Niterói pretende retirar 87 famílias do Morro do Céu

Prefeitura garante fazer tratamento dos resíduos do lixão, mas moradores afirmam ser orientados a não consumir água

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2010 | 00h00

Técnicos do Instituto Estadual do Ambiente começaram o cadastramento das famílias que moram nos arredores do lixão do Morro do Céu, em Niterói. A prefeitura anunciou que 87 famílias serão retiradas. Os moradores preocupam-se com os valores das indenizações.

"Eles deveriam ter indenizado as famílias três anos atrás quando embargaram a realização de qualquer obra na minha casa. Um vizinho recebeu há pouco tempo R$ 80 mil. Não acho justo", reclamou o vigia noturno Manoel Barros da Silva Filho, de 50 anos, que mora há 30 no local.

Alguns moradores que saíram por conta da ameaça de deslizamento já retornaram às casas. "O barranco deslizou na segunda-feira passada, atrás da minha casa. Estava dormindo na igreja que frequento", disse Maria das Graças Falcão, de 62 anos.

Apesar de a prefeitura ter garantido que o chorume do lixão é conduzido até uma estação de tratamento, os moradores disseram que sempre foram orientados a não consumir a água e as frutas do local. "Está tudo contaminado. Tem dias em que não aguento o fedor", disse Manoel.

Morro do Bumba. Ontem, seis corpos foram encontrados, três da mesma família: Bartolomeu dos Santos, de 60 anos; a filha, Lucilene, de 31, e a neta Taiane Silva, de 13. O número de mortos no local subiu para 37.

Saída. Nos acessos, o movimento de mudança era intenso. Cassiane Rosa de Andrade, de 19 anos, e a irmã Glauce Rosa de Andrade, de 16, grávida de 9 meses, preparavam as trouxas. "Perdemos quatro primos e quatro sobrinhos. Consegui sair com minha filha de 2 anos na hora do deslizamento e sobrevivi, mas não tenho qualquer perspectiva. Os meus sete irmãos vão morar com a minha mãe em outra comunidade", lamentou Cassiane.

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