'Ninguém falou em individual'

O matemático Milton Ferrari Ribeiro da Costa achou que estava fazendo um bom negócio. Com a saída do emprego e, de quebra, a perda do plano de saúde, ele procurou uma operadora para fazer um contrato familiar. "A oferta foi sempre de planos empresariais. Ninguém falou em plano individual", recorda. Feitas as contas, ele achou que valeria a pena. Para ele, mulher e o filho Vitor, R$ 1,3 mil.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2013 | 02h01

A operadora escolhida foi a mesma do contrato ofertado na empresa onde havia trabalhado. "Eles sabiam do meu caso e eu, a forma como eles trabalhavam."

Seu filho, com mucopolisacaridose, precisa fazer aplicações periódicas de um medicamento ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "O remédio é gratuito, mas o plano de saúde tem de arcar com os custos da aplicação", conta.

O primeiro susto veio na renovação: um aumento de 40% na mensalidade. "Achei um valor altíssimo, mas resolvi continuar." No ano seguinte, veio o outro reajuste: também de 40%. "Obviamente, mantido esse ritmo, em pouco tempo não conseguiria mais pagar a mensalidade."

Judiciário. Com medo de ficar sem plano, ele recorreu à Justiça. "Fiquei sabendo depois que a operadora, nos planos empresariais, pode suspender o contrato a qualquer momento. Sem falar na liberdade para aumento de preços. É assustador."

Ele conseguiu na Justiça uma liminar, que reviu o reajuste. "Agora pago os reajustes da ANS (Agência Nacional de Saúde), calculados com base nos R$ 1,3 mil iniciais."

Se pudesse voltar atrás, diz o matemático, não teria nunca feito essa modalidade de plano de saúde.

"O pior é que ficamos sem nenhuma alternativa: pergunte a quem você quiser. A coisa mais difícil que tem é alguém ofertar, nos dias atuais, um plano individual." /L.F.

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