Ninguém escolhe esta situação, diz especialista

O psicólogo Walter Varanda, doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), debruçou-se sobre o problema da população de rua em São Paulo por mais de duas décadas e chegou a uma conclusão: não existe política pública que trate o assunto de forma efetiva na cidade.

, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2010 | 00h00

Para ele, a própria estratégia da Prefeitura em incomodar os sem-teto é reflexo dessa ausência. "Ninguém está na rua por uma decisão. Pelo contrário, essas pessoas fazem um esforço tremendo para sair, mas não conseguem porque é difícil conseguir trabalho e moradia. Isso é resultante de um processo de degradação que é qualificado, conjuntural", afirmou.

Segundo Varanda, não é necessário optar por uma abordagem mais truculenta para inibir a acomodação dos sem-teto nos serviços gratuitos: "Se você oferece um local para morar, uma boa alimentação e uma assistência mínima, óbvio que ele pode querer continuar ali. Mas isso é apenas o primeiro passo. Deveríamos prover essa assistência básica, mas ao lado disso ter um programa sócio educativo para promover uma requalificação desse sujeito, para que ele ocupe uma posição social. Essas duas ações devem ocorrer em paralelo."

A política combativa seria, então, apenas pretexto para o contingenciamento de verbas. "Como não há investimento nesse trabalho de recuperação, a Prefeitura age assim para se justificar", disse. / RODRIGO BURGARELLI

LÁ TEM...

Estados Unidos

Uma nova abordagem vem sendo praticada nos Estados Unidos desde 2007. A prioridade é pagar o aluguel e um auxílio mensal aos sem-teto em vez de colocá-los em albergues. Depois da crise econômica que abalou o país, foi destinado US$1,5 bilhão para o projeto.

França

Em 2006, ONGs doaram 500 barracas vermelhas aos sem-teto de Paris para que eles pernoitassem ao lado dos pontos turísticos da cidade. Temendo a deterioração de seus cartões-postais, o governo logo liberou 7 milhões para a construção de novas moradias.

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