Nem cidade das flores escapa do problema

Indústrias das cidades vizinhas, queimadas e proliferação de veículos ameaçam a qualidade do ar em Holambra

RICARDO BRANDT, ESPECIAL PARA O ESTADO, HOLAMBRA, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2012 | 03h06

Na cidade em que as ruas, as praças e até as placas de trânsito têm nome e forma de flores, o ar que se respira não é tão puro como se imagina. Holambra, a capital das flores, entrou na pior faixa de classificação de qualidade do ar neste ano, segundo a Cetesb.

Com 11,2 mil habitantes, Holambra é a típica cidade de interior para onde moradores de grandes centros fogem para morar com mais qualidade de vida. A educação é modelo, a violência é quase zero, o trânsito não é problema e o clima europeu da colonização holandesa completa o charme. "É uma surpresa saber que o ar está em níveis ruins. Trabalho no ABC e viemos morar aqui por causa da qualidade de vida, do ar puro, da natureza", afirma o analista de custos Donizetti Bozzi, de 55 anos, desconfiado dos dados da Cetesb.

Bozzi e a mulher, Nice, de 48, moram em Holambra há 11. Eles montaram uma estufa de orquídeas na cidade e dizem que um problema antigo são as queimadas de cana-de-açúcar na região. "Mas, de uns tempos para cá, isso diminuiu muito. Percebemos porque, quando fazem queimada, a piscina de casa fica cheia de cisco de cana", contou Nice.

A cidade não tem uma estação de medição - está na faixa de abrangência das estações de Paulínia e Americana. Sofre a influência das duas cidades onde a concentração de ozônio foi o grande problema, segundo a agência da Cetesb em Paulínia.

Moradores receberam a notícia do nível crítico da qualidade do ar com surpresa e certa desconfiança. Na tentativa de tentarem encontrar um motivo que explique essa piora na qualidade do ar, todos citaram o crescimento populacional e o aumento da frota de veículos.

Em 2000, Holambra tinha 7,2 mil habitantes. Passados 12 anos, a população saltou pra 11 mil. Em 2001, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a cidade tinha 2.809 veículos (2,5 por habitante). Neste ano, já são 6.798 (1,6).

"A cidade sempre teve cultura do uso das bicicletas. Mas tem muita gente que pega o carro para tudo", conta a florista Claudia Van der Ven, de 30 anos, nascida em Holambra.

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