'Não vamos pegar só os pequenos', diz delegado

'Não vamos pegar só os pequenos', diz delegado

Policial afirma que investigação agora vai focar na responsabilidade do poder público

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2013 | 02h03

O delegado regional da Polícia Civil Marcelo Arygone afirmou nessa terça-feira, 29, que "não serão apenas os pequenos os presos" pela tragédia que deixou 235 mortos na boate Kiss, em Santa Maria, no interior gaúcho. "Tem muita gente dizendo aí em redes sociais que nós só prendemos os pequenos até agora. Isso não é verdade. A ordem é cortar a carne do próprio Estado. Gostaria de dizer para o povo ficar em paz porque ninguém vai escapar de ser responsabilizado, independente da instituição que seja", prometeu o delegado.

"De agora em diante, o objetivo da investigação será evidenciar as falhas administrativas do caso", resumiu o delegado regional de Santa Maria. "Os indicadores são fortes e apontam para uma responsabilização de agentes públicos", disse Arygone.

O responsável pela investigação foi taxativo ao afirmar que a casa noturna não poderia estar aberta. "Fica cada vez mais claro que houve falhas graves na fiscalização." Além dos alvarás vencidos, ele afirma que nem o governo municipal nem o Corpo de Bombeiros explicaram quatro evidentes falhas na boate e que deveriam ter sido alvos de notificação do poder público: a falta de uma nova saída que seria necessária após a ampliação da boate, em janeiro de 2012; a superlotação constante todos os fins de semana, segundo depoimentos; o uso de espuma inflável como isolante acústico, o que é vetado por lei municipal; e a realização de shows pirotécnicos com sinalizadores. Esse último fator (que precisaria de autorização especial) era comum nas festas do estabelecimento, conforme relataram à polícia jovens que se salvaram da tragédia.

Inquérito. A polícia também quer saber por que a prefeitura não fiscalizou a boate após o Ministério Público Estadual abrir um inquérito civil, em novembro de 2012, para apurar barulho nas madrugadas de domingo na boate - a denúncia foi feita por vizinhos. Logo após abrir o inquérito, o promotor Cesar Augusto Carlan enviou um ofício à prefeitura cobrando providências. Carlan e a polícia querem saber agora se houve alguma vistoria no imóvel após esse ofício.

A polícia também estuda pedir a prorrogação da prisão temporária dos dois donos da boate e de dois integrantes da banda. Investigadores fizeram busca e apreensão em mais dois estabelecimentos noturnos de Mauro Londeiro Hoffmann, um dos sócios da boate Kiss, localizados em Santa Maria. A boate Absinto e a choperia Floriano também tinham uma única porta para entrada e saída. Ambas as casas estão fechadas desde domingo. 

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