Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

'Não se faz da noite para o dia', diz secretário sobre rodízio de água

Segundo Benedito Braga, possibilidade de implantar rodízio de dois dias com água e cinco sem é estudada pelo Governo Estadual

Ana Fernandes, Felipe Resk, José Roberto Castro , O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2015 | 16h18

SÃO PAULO - Após se reunir com prefeitos da Grande São Paulo para discutir ações de combate à crise da água, o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, afirmou que um possível rodízio, com regime de dois dias com água e cinco sem, "não se faz da noite para o dia". "Nós temos de fazer um trabalho fino de verificar locais específicos, como hospitais e penitenciárias, que não podem ficar sem água", disse o secretário, que classificou a medida como uma "situação complexa".

Um ano após o início da crise, a possibilidade de um "rodízio drástico" para evitar o colapso do Sistema Cantareira, o principal manancial que abastece a capital e cidades da Grande São Paulo, foi admitida pelo diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, na última terça-feira, 27.

Questionado sobre o assunto, Braga deixou claro que o Governo do Estado trabalha com a hipótese de decretar o rodízio, mas não quis determinar prazos. "Nós estamos estudando todas as alternativas, não descartamos nenhuma", afirmou. A oficialização do racionamento estaria condicionada à situação dos principais reservatórios de São Paulo, que, segundo Braga, dependeriam de um regime de chuvas para se recuperarem.

"Nenhum hidrólogo, nenhum meteorologista previa, de novo, uma situação de chuvas abaixo da média em janeiro. É uma situação muito complicada", disse. "Não temos conhecimento perfeito da chuva que vai acontecer, então estamos fazendo um plano para a situação mais difícil."

"Se isso (racionamento) vier a acontecer todo mundo será informado com a devida antecedência. A situação é difícil, sem dúvida nenhuma, mas não há necessidade para ficar em desespero", declarou o secretário. Ainda de acordo com ele, caso o rodízio se confirme, pequenas obras para garantir que alguns equipamentos públicos não fiquem sem água ainda precisariam ser feitas.

Por sua vez, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que convocou a reunião e falou em nome dos demais prefeitos, afirmou que, em caso de rodízio, os equipamentos públicos, como escolas e postos de saúde, precisam ser atendidos por um plano de contingência da crise. "Tem todo um trabalho a ser feito. Agora, não adianta fazer daqui a 60 dias, tem de começar já."

Multa. Durante a reunião com os prefeitos, o secretário também aproveitou para distribuir a minuta da Sabesp que sugere que administrações municipais multem em até R$ 1 mil os cidadãos que desperdiçarem água lavando calçadas e passeios públicos. "Existem competências municipais que serão exercidas no sentido de orientar a população a economizar água e a cuidar daqueles que a usam de forma desordenada", disse.

Segundo Braga, a proposta de uma legislação municipal comum para as cidades da Grande São Paulo, foi bem aceita pelos prefeitos. Apesar da afirmação, pessoas que participaram do encontro disseram ao Estado que a maioria dos prefeitos não se colocou favoravelmente ao projeto de multa municipal e reclamou da intenção de colocar a responsabilidade pela crise nos municípios.

Para passar a valer, a multa ainda tem de ser aprovada nas Câmaras Municipais de cada município. "Cada prefeito, agora, vai fazer sua sugestão para verificar se há adendos a serem feitos para melhorar a proposta do governo", explicou Haddad.

Apesar de classificá-la como "importante" e "simbólica", Haddad reafirmou que, caso a medida seja aprovada, o impacto não seria decisivo para combater a crise. "Vai representar muito pouco diante da escala do problema. O problema é muito maior."

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