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Não faria sentido Justiça impor candidatura, diz presidente do PT-SP

Fernando Gallo - O Estado de S. Paulo

04 Junho 2014 | 14h 21

Partido suspendeu Luiz Moura por 60 dias a fim de evitar que ele possa concorrer às eleições

 SÃO PAULO - Em resposta do deputado Luiz Moura (PT), que ameaçou recorrer à Justiça contra a decisão do partido de lhe negar o direito de concorrer às eleições de outubro, o presidente do PT paulista, Emidio de Souza, afirmou nesta quarta-feira, 4, que "não teria o menor sentido" a Justiça impor uma candidatura a um partido político.

O PT suspendeu as atividades partidárias de Moura por 60 dias a fim de evitar que ele possa concorrer à eleição. O deputado é suspeito de ter relações com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua no Estado.

"Não acredito que a Justiça vá interferir. Quem deve escolher seus candidatos é o partido político, não é a Justiça impor nenhuma candidatura. Não teria o menor sentido", declarou.

Emídio, que também coordena a pré-candidatura do ex-ministro Alexandre Padilha ao governo do Estado, sustentou que o partido garantirá direito do deputado de recorrer contra a decisão que lhe suspendeu as atividades partidárias, mas disse que o PT tomará uma decisão terminativa ao final desse prazo.

As declarações foram dadas ao final de um café da manhã com Padilha organizado pela agência de notícias EFE.

O ex-ministro, por sua vez, esquivou-se de responder se a presença de Moura no partido constrangeria sua candidatura de fazer o debate sobre segurança pública. Ela também não opinou se Moura deveria ser expulso.

Padilha voltou a afirmar que o PT "será implacável com qualquer facção criminosa e qualquer pessoa que se aproxime de uma facção criminosa".

Sebastião Moreira/EFE
Declarações de Emídio de Souza e Alexandre Padilha foram dadas ao final de um café da manhã realizado nesta quarta-feira, 4

'Culpa do atual governo'. O petista declarou também que o problema da segurança pública "é do atual governo do Estado". "O governo do Estado de São Paulo é que permitiu a essa facção criminosa se tornar o que é", disse.

Padilha se disse surpreso com a decisão da Justiça que mandou suspender a caravana que o PT faz pelo Estado. "Estou convicto de que o partido cumpriu a lei. O PT é  partido diferente dos outros, não faz reunião só em época de eleição. O PT se reúne permanentemente. Conversamos com lideranças de todos os partidos."

Durante o café da manhã, o petista declarou que já votou no ex-governador Mario Covas (PSDB) e elogiou o ajuste fiscal feito pelo tucano no meio da década de 1990.

"O ajuste fiscal feito pelo então governador Mario Covas preparou esse Estado para ter capacidade de financiamento, para poder financiar e atrair um conjunto de investimentos, públicos ou privados, por meio de PPPs."