Na Vila Olímpia, estudante provoca e fluxo se mantém

Na Vila Olímpia, estudante provoca e fluxo se mantém

Prefeito regional Paulo Mathias preferiu ironizar citando o ex-prefeito Fernando Haddad

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Uma semana depois da operação em Cidade Tiradentes, o prefeito regional Paulo Mathias acompanhou uma operação contra bares irregulares, na Rua Soares de Barros, na Vila Olímpia, zona sul da capital. A ação, chamada por ele de Prefeito Na Madrugada, já atuou em Pinheiros e Vila Madalena, sempre em busca dos estabelecimentos que não respeitam a Lei do Silêncio e de vias fechadas pelos frequentadores desses bares. 

A irregularidade encontrada pela equipe era semelhante à de Cidade Tiradentes: havia um bar aberto, música alta na rua e jovens tomando toda a via, impossibilitando a passagem dos carros. Ali era possível comprar bebida e maconha à vontade. 

Diferentemente da operação na zona leste, nenhum dos presentes saiu com a chegada das viaturas. Mesmo com o bar fechado, a estratégia foi de comprar bebida em outros lugares e voltar para o fluxo. Quando a caminhonete da Prefeitura começou a remover as cadeiras do bar, que precisou ser fechado – o proprietário teve de pagar multa de R$ 8 mil –, uma menina subiu na carroceria do veículo público e começou a rebolar e dançar. “Fora, Doria!”, gritaram os presentes. “Por que não vai cuidar do asfalto, em vez de atrapalhar a diversão dos outros?”, indagou um rapaz. 

“Estamos aqui há dois anos, quase três. Não tem ninguém usando droga, são pessoas de bem, que estudam e vêm aqui para beber”, disse o estudante Igor Sauseda, de 20 anos, filho do dono do estabelecimento. “São alunos de Insper, Anhembi-Morumbi, Mackenzie... aqui não é baile funk. Ninguém vem para ‘causar’ ou tumultuar. Mas parece que a Prefeitura acha que voltamos à ditadura”, lamentou o estudante Mateus Reis, de 18 anos.

Até o prefeito regional foi alvo de questionamentos e protestos e, em um dos casos, entrou no bate-boca. “Por que isso? Eu pago meus impostos”, gritava uma estudante, enquanto filmava o prefeito regional. “O bar não está cumprindo a lei, a lei da 1 hora”, respondeu Mathias. “Que hora?”, questionou novamente a jovem. “A Lei do Psiu. Você não estava acostumada, deve ser amiguinha do Haddad”, ironizou o prefeito regional. “Sou amiga do Haddad. E do Doria, que adora vir aqui. O filho dele estava aqui ontem”, rebateu ela.

A distância. Os policiais acompanharam a distância. “Não é o caso (de agir) aqui”, disse o sargento João Gabriel. 

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