Na Rua dos Pinheiros, dobra valor de imóvel

Especialista lembra que mercado imobiliário passa por aquecimento geral

Mariana Lenharo, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2010 | 00h00

Sempre que ocorre a implementação de uma nova infraestrutura pública, como é o caso da Linha 4-Amarela da Companhia do Metropolitano de São Paulo, ela se torna um fator adicional de atratividade, o que faz o preço dos imóveis se elevar naturalmente.

Essa é a opinião do diretor de Planejamento e Expansão dos Transportes Metropolitanos, Marcos Kassab. "O que não pode é deixar de instalar essa infraestrutura", alerta. Ele associa esse aumento excepcional do preço dos imóveis a um aquecimento geral do mercado imobiliário no último ano.

Segundo ele, a população do centro expandido está estabilizada como um todo e isso não tem necessariamente a ver com o Metrô. Outros fatores poderiam explicar a queda da densidade populacional nessas regiões, como a mudança do perfil das famílias, que passaram a ter menos filhos.

Variável única. Para ele, a dinâmica populacional abordada no estudo "Distribuição da População na Região Metropolitana de São Paulo", do engenheiro Carlos Eduardo de Paiva Cardoso, é muito complexa e não pode ser analisada diante de uma única variável: a instalação do metrô numa determinada área. "A linha é indutora de crescimento, qualidade de vida e aumento de serviços, mas isso se mistura com outras variáveis que podem contribuir para esse processo populacional."

Na prática, porém, os aumentos já são visíveis. Na Rua dos Pinheiros, os moradores de um prédio na frente da Estação Faria Lima, que será inaugurado em breve, viram o aluguel saltar de R$ 700 para R$ 1 mil em poucos meses. O valor de um apartamento de dois quartos, que era de cerca de R$ 150 mil, hoje alcança os R$ 300 mil.

Batata. A região do Largo da Batata, onde fica a nova estação, é uma aposta dos especialistas do mercado imobiliário. "O comércio da região sempre foi forte, mas as lojas tinham um padrão mais baixo", afirma Kathia Raucci, especialista da consultoria de imóveis Saramandona. Ela acrescenta que "só a notícia da vinda do metrô já fez várias construtoras começarem empreendimentos na região e os próprios lojistas estão melhorando seus estabelecimentos".

Segundo Kathia, a região servirá como uma alternativa à Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini para a instalação de prédios de escritório.

Vila Sônia. Para o diretor de atendimento da Lopes Imobiliária, Cyro Naufel Filho, já é possível perceber uma atividade intensa de compra e venda de imóveis também na Vila Sônia, onde se instalará outra estação da Linha Amarela. "É uma região bastante receptiva tanto para quem mora na zona sul, como na zona oeste", avalia.

Três perguntas para... Benedito de Toledo

HISTORIADOR, AUTOR DO LIVRO "SÃO PAULO: TRÊS CIDADES EM UM SÉCULO"

1. Virou tendência a expulsão de antigos moradores pelo Metrô?

Todo tipo de transporte de massa altera o entorno. Desde a instalação do trenzinho da Cantareira. Outro bom exemplo é a construção da antiga rodoviária no centro da cidade, que agora está sendo demolida. Foi uma desgraça para a região, pela saturação que causou.

2. Por esse aspecto, a expansão do Metrô pode ser negativa?

O Metrô é a solução para São Paulo, que não pode mais pensar em transporte individual. Mas atrai um comércio improvisado, prejudicial ao entorno, que não é o que os moradores desejam.

3. O que fazer então para diminuir os prejuízos trazidos pelas estações?

É preciso disciplina na hora de pensar o desenvolvimento da cidade. São Paulo tem de ter mais áreas livres. E mais infraestrutura de transporte público por todas as suas regiões.[ ]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.