AMANDA PEROBELLI/ESTADÃO
AMANDA PEROBELLI/ESTADÃO

Na periferia de São Paulo, vizinhança faz a folia de Momo

Prefeitura dá suporte, mas ainda há blocos com falhas e quem tenha deixado até a Polícia Militar esperando

Adriana Ferraz, Alexandre Hisayasu e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

03 Março 2017 | 03h00

SÃO PAULO - O fim de semana será de folia do M’Boi Mirim até Sapopemba. E não haverá estreia no samba apenas no pós-carnaval. Distante 23 km do centro da cidade e da festa, moradores da Travessa Renato Rodrigues Moreira, na região de Ermelino Matarazzo, zona leste, entraram na terça-feira pela primeira vez no circuito oficial momesco. 

Há dez anos, eles organizam a passagem do bloco Pé Vermelho pelas ruas do Jardim Verônia, mas só agora foram “promovidos” com o aumento da festa também nas periferias de São Paulo. Mais de 60 grupos vão desfilar neste ano em bairros mais afastados, incluindo Itaquera, Pirituba, Jaçanã, Capela do Socorro e Cidade Tiradentes. “Até mudamos de nome. A partir deste ano somos a Família na Folia”, disse o presidente e músico do bloco, Peterson Magalhães, de 30 anos, que organiza a festa com vizinhos e parentes. No repertório tem de tudo, menos funk. “Se não, vira pancadão, rolezinho, e aí não pode.”

A 46 km dali, o Fígado de Aço comemorou quatro anos de desfile pelas ruas de Piraporinha, na zona sul, também cercado por pessoas conhecidas. O bloco foi criado em 2013 por um grupo de amigos que, sem dinheiro para viajar, bebia em bares locais no carnaval. Segundo o presidente, Deivis Santos, de 44 anos, o nome surgiu a partir do hábito dos amigos: beber cachaça. “E para aguentar precisa ter fígado de aço”, disse Devão.

Hoje o grupo tem até o patrocínio de bares e uma loja virtual. Abadás vendidos a R$ 40 a unidade davam direito a cinco latinhas de cerveja ao longo do trajeto. Pelo menos 500 pessoas compraram o uniforme oficial. “Este ano inovamos, copiando a Vila Madalena”, em referência a um paredão de som puxado por carro popular. O equipamento aqueceu as primeiras horas da festa, com músicas do cantor de forró Wesley Safadão. Jovens, crianças e até idosos de bairros vizinhos participaram da festa, que teve início às 15 horas e dispersão às 22 horas.

Só a PM foi. Apesar de menos badalados, os blocos da periferia estão na lista oficial do carnaval de rua da cidade e, por isso, dispõem de suporte da Prefeitura para promover os desvios necessários no trânsito e oferecer a infraestrutura mínima aos foliões, como segurança e banheiros químicos. O que falta é pontualidade. Marcado para ter a concentração às 10 horas de quarta, o Família na Folia só iniciou os trabalhos por volta das 14 horas. Já o Me Chama que Eu vou não apareceu no horário marcado, às 13 horas, nas imediações da Rua Coronel Esdras de Oliveira, no Jaçanã, zona norte. Nem um grupo de cerca de 15 PMs, que faria a segurança do cortejo, encontrou o bloco. 

 

 

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