Na Liberdade, cada um ajuda com o que acha que a festa vale

Para participar, basta enviar o nome para lista de e-mail; na Vila Madalena, bar em casa foi fundado por casal

O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2011 | 03h05

Na Casa Fora do Eixo, ninguém paga nada para entrar ou consumir aos domingos. Basta enviar o nome previamente para uma lista de e-mail e aparecer no sobrado compartilhado por jovens no bairro da Liberdade. O coletivo de produtores culturais que mora ali deixa interessados em aparecer para curtir a balada dominical retribuírem com a quantia que quiserem. E ainda abriga as bandas que vão tocar.

"A festa é mais intimista, é um dia de troca da gente com São Paulo", diz a moradora e responsável pela divulgação Dríade Aguiar, de 21 anos, "A entrada, a comida e a bebida são gratuitas. Tem um esquema de colaboração e cada um contribui com o que acha que a festa vale."

A produção e limpeza antes, durante e depois da festa Domingo na Casa são divididas entre os 14 moradores, todos com idade entre 20 e 30 anos. Eles confeccionam tudo para as apresentações de teatro e intervenções gráficas de artistas que frequentam o local, em geral novos nomes da cena cultural brasileira.

Há cerca de dez anos, o Clube Etílico Musical (CEM), na Vila Madalena, também surgiu dentro de casa e com objetivo parecido: divulgar samba, choro e outros ritmos brasileiros. O casal Paulo Kannec e Meirinha, já nos 60 anos, passou a receber fregueses na lavanderia que os dois abriram no sobrado da Rua Fradique Coutinho. Enquanto esperavam a roupa bater na máquina, clientes cantavam tomando cerveja. Com o tempo, o samba virou a atração principal e o casal fundou o clube CEM - conhecido como Bar da Meirinha. "Desde que a gente é gente, recebe pessoas em casa. A bem da verdade, fizemos isso para nos divertir", diz Meirinha.

Toda quinta, sexta, sábado e domingo, Kannec escolhe sambistas para shows - dezembro é mês de homenagem a Noel Rosa. Enquanto isso, Meirinha recebe o público na porta e explica que ali se paga antes de comer e beber: "É como festa junina, tem de pegar ficha e buscar o petisco na cozinha."

Quem entra vê a casa decorada com quadros e mesinhas de boteco na frente do palco. Só não chega ao segundo andar, onde o casal mora com a cadela Panda, que virou homenageada no bloco de carnaval do bar, o Filhos da Mamãiss - exclusivo de marchinhas. / F.F.

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