Na abertura do memorial, luto e alerta

Ato celebrou memória das 199 vítimas do acidente em Congonhas; familiares apontam praça como 'endereço de alerta para a falta de segurança aérea'

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2012 | 03h02

Memória

A inauguração da Praça Memorial 17 de Julho, ontem, em homenagem às 199 vítimas da explosão do Airbus A-320 da TAM, há cinco anos, foi marcada pela emoção. Assim como no dia do acidente, uma terça-feira, fazia frio e chovia no Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo. Às 18h50, um clarinete tocado pela Polícia Militar ecoou por um minuto e houve silêncio, em referência ao momento em que o avião se chocou com o prédio de cargas da própria companhia. Foi também quando a tempestade se intensificou no local.

Cerca de 300 familiares e amigos participaram da cerimônia. Na mureta com o nome das vítimas, em volta do espelho d'água, parentes deixavam flores brancas e mensagens. Foram acesas 199 lâmpadas de LED em formato de estrelas postas no chão. No centro da praça há uma amoreira que resistiu à explosão e hoje é considerada símbolo da vida.

Depois da apresentação de um coral, familiares discursaram, reforçando que a praça não é apenas uma homenagem às vítimas, mas "um endereço de alerta sobre a falta de segurança no tráfego aéreo do País".

Projetada de acordo com a vontade dos parentes, a praça tem 8,3 mil metros quadrados e fica na frente da cabeceira da pista de Congonhas. As obras duraram sete meses e custaram R$ 3,6 milhões. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi ao ato. "Espero que todas as autoridades que passam por aqui e sejam responsáveis pela aviação civil coloquem as mãos à obra", disse, em referência à segurança aérea.

Para as famílias que não puderam enterrar parentes, a praça virou ponto de oração. "Não recebi o corpo da minha filha. Essa praça não muda o que aconteceu, mas pelo menos agora tenho um espaço para poder visitar. Quando sentir saudade, vou vir aqui", disse Márcia Aparecida Soares, de 49 anos, mãe da comissária Michelle Leite, de 26.

Os integrantes da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ3054 (Afavitam) celebraram a inauguração, mas protestaram contra a demora na condenação dos culpados. Os acusados pela tragédia não foram ouvidos na Justiça.

Denunciados pelo Ministério Público Federal há um ano, a então diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, e os ex-diretores da companhia Alberto Fajerman e Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro negam participação no acidente. Eles respondem por "atentado contra a segurança no transporte aéreo".

Protesto. Congonhas hoje opera no limite. Em média, são 33 pousos e decolagens por hora. O número máximo permitido pela Anac é de 34 - na época do acidente, eram 46. Representantes da Afavitam distribuíram panfletos na frente do aeroporto, exigindo maior segurança, por volta das 14 horas, antes da cerimônia.

Passada a pressão pela redução no movimento, porém, todas as estatísticas estão em alta no terminal. Nos cinco primeiros meses deste ano, 86,5 mil aeronaves pousaram ou decolaram de Congonhas. No mesmo período de 2007, foram 91,5 mil operações.

Indenização. A luta por indenização continua para um grupo de familiares de 101 vítimas. Eles já fizeram acordo com a TAM, mas pedem a condenação da Airbus com base em documentos que indicam que a fabricante sabia de falhas mecânicas. Informações das caixas-pretas indicaram que o Airbus não conseguiu desacelerar ao pousar porque uma das alavancas de velocidade foi posicionada incorretamente.

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