Nº de homicídios em SP é o menor em 46 anos, mas latrocínios aumentam

Índices de criminalidade do semestre também apontam alta no Estado e na capital de crimes contra o patrimônio, como roubo de carro

Bruno Paes Manso e Daniel Trielli, O Estado de S. Paulo

25 Julho 2011 | 23h00

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo registrou no primeiro semestre deste ano 8,3 homicídios por 100 mil habitantes, a menor taxa de assassinatos desde 1965 - ano com o mesmo índice. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública divulgados ontem, foram registrados entre janeiro e junho 470 assassinatos na capital, 28% a menos do que no primeiro semestre do ano passado.

 

Seis distritos da cidade não tiveram nenhum assassinato nos primeiros seis meses do ano: Vila Carrão, Parque da Mooca e Alto da Mooca, na zona leste; Limão, na norte; Campo Grande, na sul; e Cambuci, na região central. Mas a periferia da zona sul continua com os primeiros lugares no ranking de violência: Parque Santo Antônio (28 casos), Campo Limpo (23) e Capão Redondo (18).

 

No Estado, a queda nos homicídios foi de 12,2% e alcançou taxa de 9,6 casos por 100 mil habitantes. A média brasileira é de 25 por 100 mil. Apesar da queda nos assassinatos, os casos de latrocínio, roubos seguidos morte, registraram alta de 12% na capital. Foram 46 ocorrências no primeiro semestre. No Estado, o crescimento foi de 20% - 161 pessoas morreram durante roubos.

 

Para o delegado-geral, Marcos Carneiro de Lima, o crescimento dos latrocínios pode estar vinculado ao roubo a veículos, outro crime com tendência de alta no Estado (10%) e na capital (7,5%). "No roubo de veículos, o susto da vítima pode levar o ladrão, que é covarde e tem medo, a atirar. Como a distância é curta e as partes fatais da vítima estão expostas, como tronco, cabeça e tórax, o risco é muito elevado."

 

Crimes contra o patrimônio (roubo, furto, roubo e furto de veículos, roubo a banco e de cargas) cresceram tanto no Estado (6,4%) quanto na capital (11,5%). A alta foi puxada pelos furtos, que aumentaram 22% na cidade e 9,3% no Estado. "Hoje existem objetos pequenos de alto valor, como celular, iPad, notebook. E é mais fácil registrar nas delegacias eletrônicas e companhias da PM. Isso acaba refletindo nas taxas", diz o comandante geral da PM, Álvaro Camilo.

 

Desde 2009, o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, diz que para enfrentar crimes contra o patrimônio, a Polícia Civil deve mudar a estrutura de combate. Um plano será submetido ao governador Geraldo Alckmin. "Os números do semestre são positivos, mas estamos preocupados em manter a pressão sobre o crime." / COLABOROU MARCELO GODOY

 

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