Museu celebra trajetória dos negros em Porto Alegre

O município de Porto Alegre vai dar mais visibilidade à participação dos africanos e seus descendentes na história da cidade com a criação do Museu de Percurso Negro, um projeto do movimento comunitário que recebeu apoio da prefeitura e do Programa Monumenta do Ministério da Cultura. A proposta é identificar e deixar visíveis espaços e prédios do centro histórico que foram marcantes na trajetória dos africanos e seus descendentes na capital gaúcha.

Elder Ogliari de Porto Alegre, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2010 | 00h00

O primeiro passo foi a inauguração ontem da Escultura do Tambor, na Praça Brigadeiro Sampaio. A obra foi concebida pelos artistas Pelópidas Thebano, Gutê, Marco Antônio dos Santos, Adriana Xaplin e Leandro Machado com subsídios repassados pelos griôs ? pessoas que representam a memória coletiva da comunidade negra.

A peça, com estrutura metálica e revestimento de estuque, tem quase dois metros de altura e a forma de um tambor, objeto referencial para todas as manifestações da cultura afro-brasileira, sobre o qual estão aplicados desenhos dos artistas que lembram os negros enforcados, descalços, vendedores, participantes da Revolução Farroupilha, jogando capoeira, em rodas de samba e na universidade.

A escultura é o primeiro marco escultural do museu. Está numa praça que já foi conhecida como Largo da Forca, onde eram executados os condenados à morte, a maioria negros.

Pesquisas realizadas entre 2007 e este ano já classificaram outros quatro marcos no centro da cidade, mas nenhum está identificado. A ideia é colocá-los no futuro, em forma de painéis em paredes ou no chão, informa a pedagoga Sandra Maciel, participante do Grupo de Trabalho Angola Janga, uma organização não-governamental voltada à defesa da igualdade racial.

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