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Municípios buscam no Nordeste plano para não secar o Cantareira

Rene Moreira - Especial para O Estado

26 Junho 2014 | 18h 47

Especialista diz que se uso da água não for controlado, em 100 dias todo o sistema e até o volume morto estarão no fim

Um plano para escalonar o uso da água, baseado no sistema utilizado no Ceará, foi apresentado visando a evitar que 3 milhões de pessoas em cidades como Campinas, Jundiaí e Piracicaba venham a ficar de torneiras secas. Ele propõe dividir o uso da água por horários e setores para suportar o período de seca que está apenas começando. Estariam envolvidos todos os municípios ligados ao Sistema Cantareira.

A proposta partiu do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e foi debatida dois dias seguidos nas cidades de Paulínia (SP) e Americana (SP) com as empresas consorciadas e os municípios envolvidos. A intenção é ter um plano de contingência para enfrentar a estiagem entre julho e setembro. 

Nesta quinta-feira, 26, a consultora Rosana Garjulli apresentou as experiências realizadas no Ceará, onde a falta de água é comum e os rios são intermitentes, ou seja, ficam secos numa época do ano. Para suportar esta situação os cearenses contam com reservatórios que retêm parte da água, que depois é distribuída de acordo com um conselho formado por representantes da comunidade e dos setores envolvidos.

No interior paulista a ideia não seria represar a água, mas definir horários que cada setor, como indústria e agricultura, poderia usá-la. Essa definição se daria por meio de um conselho parecido com o que é utilizado no Ceará, envolvendo todas as partes. Uma minuta da proposta será apresentada nas próximas semanas, levando em conta as considerações já apresentadas por municípios e empresas.

O professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Antonio Carlos Zuffo, também esteve no encontro e realizou uma apresentação sobre a situação do Sistema Cantareira e a escassez hídrica nas Bacias PCJ e do Alto Tietê. Segundo ele, se nada for feito em 100 dias a água deve secar e até mesmo a reserva técnica, ou "volume morto", estará no fim.

Zuffo disse ainda que não há garantias de que as chuvas voltarão a partir do próximo ciclo hidrológico em volume suficiente para acabar com a crise hídrica.

Risco. O Consórcio PCJ alega que vem emitindo alertas desde o ano passado sobre a disponibilidade hídrica nas bacias PCJ para empresas e municípios, incluindo os da Grande São Paulo, além de informar os órgãos gestores do Sistema Cantareira.

Os rios da região estão passando por um fenômeno climático extremo e com chuvas insuficientes. Este ano já choveu 300 milímetros a menos e a vazão de água que entra no Cantareira foi 60% menor que a média histórica para o período.