FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Munição de arma usada em chacina é a mesma da Rota

Calibre 9 mm é usado em submetralhadoras de grupos de elite da PM; força-tarefa encontra cápsulas em nove locais

Alexandre Hisayasu

04 Setembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Dos dez locais onde aconteceram os ataques que resultaram em 19 mortos e 5 feridos, na maior chacina da história de São Paulo, em nove foram apreendidas cápsulas de calibre 9 mm.

Parte das munições, como revelou o Estado nesta quinta-feira, 3, pertence a lotes comprados pela Polícia Militar de São Paulo, pela Polícia Federal e pelo Exército Brasileiro, entre 2006 e 2008. A confirmação foi feita pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) em relatório encaminhado à Corregedoria da PM, com o código DICOM 0986/15.

Segundo integrantes da força-tarefa que investiga o caso, as cápsulas apreendidas eram usadas pela PM paulista há cerca de dez anos, nas submetralhadoras de modelo Beretta. Apenas policiais de grupos especializados, como a Força Tática e as Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) tinham acesso ao armamento.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que não vai comentar o caso, porque as investigações são sigilosas. A Polícia Federal disse que ainda não foi comunicada oficialmente sobre o fato e faltam informações no documento que possam levar a uma pesquisa mais detalhada e a eventuais providências da instituição. 

O Exército afirmou que o lote comprado, em 2007, foi desviado em 2012 da Base de Administração e Apoio do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. Um militar foi identificado e acabou preso por causa do crime.

Carro prata. A chacina aconteceu em 13 de agosto, em Osasco e Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Esta semana, os investigadores descobriram que um carro prata, modelo Sandero, usado pelos criminosos no primeiro ataque realizado em Osasco – que foi visto por uma testemunha –, pode ser o mesmo utilizado pelos assassinos em Barueri. 

Lá, o veículo foi filmado por câmeras de segurança. A principal suspeita é de que PMs e guardas municipais sejam os responsáveis pelos crimes. O motivo seria as mortes do policial militar Avenilson Pereira de Oliveira, em Osasco, e do guarda-civil Jeferson Rodrigues da Silva, na vizinha Barueri, em assaltos dias antes da chacina. 

Até agora, apenas o PM Fabrício Emmanuel Eleutério, da Rota, está preso. A força-tarefa do Estado investiga outros 17 PMs, 1 segurança e 4 GCMs. Anteontem, a Justiça Militar decretou segredo nas investigações. A Justiça comum fez o mesmo na semana passada.

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