Mulher é morta em assalto durante apagão em São Paulo

A vítima estava dentro do seu carro quando foi abordada por um criminoso na região do Jabaquara

Daniela Canto e Ricardo Valota, da Central de Notícias,

11 Novembro 2009 | 08h28

Uma mulher morreu em uma tentativa de assalto hoje, por volta da 1 hora, na zona sul de São Paulo, durante o apagão que atingiu boa parte do País. Atingida no pescoço, Maria Amélia Leite Roque Taiana, de 50 anos, foi levada ao Pronto-Socorro (PS) do Hospital Arthur Ribeiro de Saboya, mas não resistiu aos ferimentos.    

 

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A vítima estava dentro do seu carro quando foi abordada por um criminoso na região do Jabaquara. O suspeito estaria em uma moto. Ainda não se sabe por que ele atirou. Segundo a Polícia Militar (PM), o criminoso fugiu sem roubar nada. Até as 4 horas, nenhum suspeito havia sido preso. A ocorrência foi registrada no 35º Distrito Policial (DP), de Jabaquara.

 

Durante toda a noite do apagão, acidentes, semáforos desligados, assaltos e falta de informação deixaram São Paulo mergulhada no caos desde as 22h15, quando a cidade ficou às escuras. O transporte público e o trânsito pararam.

O prefeito Gilberto Kassab (DEM), em reunião com seu secretariado, decidiu suspender o rodízio de veículos no período da manhã, entre 7 horas e 10 horas. As autoridades avaliavam a possibilidade de suspender também as aulas na rede municipal, caso a falta de luz persistisse. Às 2 horas, porém, parte da cidade já tinha a energia restabelecida.

Tumultos foram registrados na Estação Brás da CPTM e no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação. Na Polícia Militar, apenas um gerador estava funcionando para atender aos chamados do 190, o telefone de emergência. A rede da Polícia Civil ficou fora do ar. Ninguém conseguiu registrar boletim de ocorrência. Somente os rádios de rede funcionavam, à base de gerador.

Os trens do Metrô pararam, os pontos de ônibus estavam superlotados e os táxis eram disputados a tapa nos locais mais movimentados, como na porta das estações do Metrô. Para piorar, o trânsito parou nas principais vias da cidade - a Paulista estava congestionada nos dois sentidos às 23h30.

No cruzamento das Avenidas Santo Amaro e Vicente Rao, na zona sul, dois carros bateram logo após o blecaute. O mesmo aconteceu no Viaduto Washington Luís. Ainda assim, dois carros da CET permaneciam parados em cima das calçadas, sem fazer nada. "A gente não consegue nem falar com a base, não sabe o que aconteceu. Não sei nem para onde devo ir, está uma confusão", disse um agente da CET, que preferiu não se identificar.

"O pior é que nessa hora não aparece ninguém para ajudar a gente, para dar segurança", disse Luciano Alves Sobrinho, que trabalha como atendente em uma pizzaria na Avenida Santo Amaro. Com os sistemas inoperantes, ele e seus colegas foram liberados do serviço, mas não conseguiam voltar para casa - como muitos outros também foram dispensados do trabalho após o blecaute, os ônibus ficaram completamente lotados, às 23 horas. Para piorar, poucos tinham coragem de ficar nos pontos de ônibus. "Os carros da polícia passam, mas ninguém vai ficar aqui para evitar que a gente seja assaltado."

Em uma pizzaria na Avenida Vicente Rao, um grupo de estudantes da Universidade Anhembi Morumbi comemorava o final antecipado das aulas. "Assim que acabou a luz, foi todo mundo para a rua", disse Alvaro Gonzales, de 21 anos.

Na Faculdade Sumaré, os alunos também foram dispensados. Fábio Lima, de 22 anos, morador da Penha, Renata Esmeralda, de 35, residente em Mairiporã, e Aline Medeiros, de 18, do Tucuruvi, ficaram por cerca de 90 minutos sem saber como iriam para casa, pois dependem do metrô. Conseguiram ligar para os pais, que iriam buscá-los - como Renata mora longe, dormiria na casa de Aline.

Sergio Ribeiro Junior, de 39 anos, dono de uma banca de jornal, disse que viu a Avenida Sumaré apagar na sua frente. Depois de acabar a energia, alguns clientes foram até sua banca para comprar velas - em vão. "Vou passar a vendê-las", disse.

No Paraíso, nas proximidades da Beneficência Portuguesa, a energia demorou um pouco mais para acabar. Vila Mariana e Cambuci apagaram cerca de 15 minutos antes, por volta das 22h15. Como a região tem muitos hospitais e faculdades, o breu não foi total por causa dos geradores locais.

Hospitais

O maior hospital do País, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, operava normalmente ontem à noite, graças a geradores movidos a óleo, afirmou o superintendente da unidade, José Manoel de Camargo Teixeira.

Segundo ele, os geradores tinham capacidade de funcionar até meados da madrugada, quando poderia haver reabastecimento do óleo. A Assessoria de Imprensa da Prefeitura de São Paulo informou que a maioria dos hospitais da capital conta com geradores. O Instituto do Coração (Incor), porém, na zona oeste, ficou às escuras. Os pacientes internados foram avisados pelos médicos do problema, mas ninguém da administração forneceu informações oficiais sobre as consequências da falta de luz.

Cinemas, como o Playarte Bristol, na Avenida Paulista, e HSBC Belas Artes, na Rua da Consolação, tiveram a sessão interrompida no momento do apagão e vão ressarcir os clientes. Os aeroportos de São Paulo funcionaram normalmente, com gerador.

 

 

 

 

(Com Rodrigo Brancatelli, Bruno Tavares, Marcelo Godoy, Valéria França, Fabiane Leite, Alexandre Gonçalves, Mariana Mandelli, Verônica Dantas e Eduardo Reina)

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