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Mulher de Abdelmassih deixou Paraguai por Ciudad del Este

Pablo Pereira - Enviado especial de O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2014 | 15h 31

A ex-procuradora da República, Larissa Maria Sacco, entrou no Brasil na terça-feira, 19, na mesma noite em que o marido foi preso

Atualizado às 21:18

ASSUNÇÃO - A mulher de Roger Abdelmassih, Larissa Sacco, deixou o Paraguai horas após a prisão do marido, em Assunção, e já está em território brasileiro. A informação é da polícia paraguaia, que acompanhou o trajeto da viagem de Larissa na noite de terça-feira. Ela abandonou a casa da família, no bairro de Villa Morra, e seguiu de carro para a fronteira, levando os gêmeos, filhos do casal.

De acordo com fontes policiais do Paraguai, Larissa saiu do país por Ciudad del Este e passou a fronteira com Foz do Iguaçu na noite de terça-feira.

O carro usado na viagem não é o mesmo que ela utilizava em Assunção, um Kia Carnival preto, ano 2012, que por duas semanas foi seguido pela polícia na operação de localização e prisão do ex-médico. A polícia investiga eventual participação de paraguaios no caso e quer saber quem ajudou Larissa a deixar o país, mas esclareceu que não há mandado de prisão contra ela. "A senhora está limpa", disse a fonte.

O veículo usado para levá-la de volta ao Brasil foi monitorado pelas equipes que investigam favorecimento de autoridades paraguaias ao ex-médico, que morava no Paraguai havia mais de três anos e usava o nome falso de Ricardo Galeano. A casa da família permanecia fechada ontem e o Mercedes Benz usado pelo fugitivo continuava na garagem.

Documentos. Nesta quinta-feira, no final da tarde, o comissário Gilberto Gauto, diretor do setor de identificação paraguaia, apresentou um dossiê com informações sobre a identidade que Abdelmassih usava naquele país. Entre os documentos, está a cópia da carteira de identidade de número 367-466, emitida no Paraguai, e que tinha validade até fevereiro de 2019.

Os registros policiais confrontados com o número do documento mostram que Abdelmassih seria natural da cidade de Dr. Francia, teria nascido em 6 de fevereiro de 1949, e teria residência na Rua 29 y 10, no bairro Sajonia - todas informações falsas.

"Esse documento é falsificado com a foto dele", disse um policial que integra a equipe de investigações criada para apurar o envolvimento de autoridades paraguaias no caso. A dúvida agora é saber como os dados falsos foram inseridos no sistema da polícia.

No Paraguai, a checagem da carteira de identidade é feita somente pelo número. Como ao digitar o número no sistema de identidades da polícia aparecia a foto de Ricardo Galeano, e contra ele nada constava, o ex-médico brasileiro circulava livremente pelo país.