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MTST leva 12 mil ao Itaquerão e ameaça ato em jogo na sexta

Fabio Leite, Mônica Reolom - O Estado de S. Paulo

04 Junho 2014 | 21h 16

Após protesto na zona leste, líder de grupo de sem-teto disse que pode bloquear acesso ao Morumbi

Atualizada às 23h35

SÃO PAULO - Após levar 12 mil manifestantes, segundo estimativa da Polícia Militar, para um ato simbólico nesta quarta-feira, 4, na frente da Arena Corinthians, o Itaquerão, na zona leste de São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ameaça impedir o acesso de torcedores ao amistoso do Brasil contra a Sérvia, nesta sexta, no Estádio do Morumbi, na zona sul, caso o governo Dilma Rousseff não apresente uma resposta para as reivindicações por moradias.

“Se o governo quiser pagar para ver, ele vai ver”, disse o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, que se reuniu com Dilma no início de maio. “Se até sexta (amanhã) não tiver uma resposta para nossas reivindicações, não sei se a torcida vai conseguir chegar a esse jogo, não”, completou.

Segundo Boulos, o ato desta quarta reuniu 25 mil pessoas na frente do estádio que receberá a abertura da Copa, no dia 12. Em discurso com críticas a governantes, empreiteiros e à Fifa, ele disse que se nenhuma solução for apresentada, um novo grande protesto será feito na partida de estreia do Brasil contra a Croácia, no dia 12. 

DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
PM e MSTS protestam

“Não adianta falar na TV que vai colocar a polícia e Exército na rua. Eles não são nada perto do povo organizado. Hoje a gente mostrou para o governo que a gente sabe o caminho (do Itaquerão). No dia do jogo, vai ter mais gente de vermelho aqui fora do que de verde e amarelo dentro do estádio”, disse o líder do MTST, que distribuiu senha para que manifestantes depois comprovem a presença no ato. 

O protesto começou por volta das 18h30, na frente da Estação Vila Matilde, da Linha 3-Vermelha do Metrô, e interditou a pista da Radial Leste no sentido bairro. A via acumulou 9,7 km de lentidão no horário, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Depois de duas horas de marcha, os manifestantes chegaram na frente do Itaquerão aos gritos de “a periferia chegou” e cantaram o rap do MTST. Vários operários que ainda trabalham no estádio acenaram para o grupo.

Policiais. Mais cedo, policiais militares já haviam reunido cerca de 500 pessoas na frente do Itaquerão, entre 16h e 18h30. Os manifestantes pedem um reajuste salarial de 19%, mas o governo não ofereceu nenhum aumento. “Esse valor corresponde ao que o governo não deu no ano passado e neste ano. Eles disseram não ter previsto esse gasto no orçamento, mas a gente provou que o impacto será pequeno, porque representa entre R$ 350 e R$ 480 por praça”, afirmou o coronel Sérgio Payão, um dos organizadores do ato.

O coronel também citou a Copa da Mundo como um ponto a ser considerado. “Somos contra a greve porque quem paga é o cidadão. Mas é inadmissível que em um ano como este tenham esquecido da nossa categoria”, disse.

A Secretaria da Segurança Pública informou, em nota, que “tem mantido diálogo transparente e permanente com a Polícia Militar” e que “os índices de aumento salarial serão anunciados no tempo oportuno”. Segundo a secretaria, na atual gestão já foram concedidos três aumentos salariais e a promoção de 27.282 PMs.