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Adesão cai e MPL faz ato pacífico contra alta da tarifa

Mais uma vez, movimento se recusou a divulgar trajeto, mas faz acordo com a Polícia Militar

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Bruno Ribeiro e Rafael Italiani,
O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2016 | 21h42

Atualizado à 00:32

SÃO PAULO - O Movimento Passe Livre (MPL) fez nesta terça-feira, 26, em São Paulo o 6.º ato contra o aumento da tarifa de ônibus, trens e metrô neste ano. O grupo mais uma vez não divulgou com antecedência o percurso do protesto, como determinado pela Secretaria da Segurança Pública, mas entrou em acordo com a Polícia Militar. Com baixa adesão, a passeata começou às 17h, na Estação da Luz, e acabou às 20h30, na frente da Câmara Municipal, sem registro de incidentes nem detidos. A tarifa foi reajustada de R$ 3,50 para R$ 3,80 no dia 9.

Segundo a Secretaria da Segurança, cerca de 250 pessoas participaram do ato, um dos menores promovidos pelo grupo. Integrantes do MPL não divulgaram números, mas culparam a polícia pelo fracasso do protesto.

“Essa baixa adesão é resultado da estratégia policial de jogar bombas e reprimir as manifestações. As pessoas ficam com medo e não vão para a rua”, disse Fred Luca, militante do Passe Livre. “Vamos fazer uma reunião na quinta-feira e, depois, vamos fazer uma reavaliação. O MPL luta pela tarifa zero, barrar o aumento é uma das ações. A luta continua, mesmo se sairmos das ruas”, afirmou Luca.

Mais uma vez, o trajeto foi definido na concentração, apesar dos pedidos de divulgação antecipada feitos pelo governo estadual. Por volta das 17h30, a Tropa de Choque bloqueou a saída do Parque da Luz para a Avenida Tiradentes e revistou a mochila de manifestantes.

Após acordo entre a PM e o MPL, a manifestação saiu por volta das 19 horas. Os manifestantes seguiram pela Rua Mauá e pelas Avenidas Cásper Líbero, Ipiranga e São Luís, e finalizaram a passeata na Câmara. A caminhada foi pacífica, mas uma fileira com cerca de 40 mascarados seguiu à frente do grupo. A PM escoltou os manifestantes durante todo o trajeto.

Inicialmente, o MPL informou que não aceitaria o trajeto da polícia, que propusera terminar a passeata na Assembleia Legislativa. “A PM não sugere, exige o trajeto que vamos seguir, e isso é inconstitucional”, afirmou Monique Felix, porta-voz do MPL. O tenente-coronel Francisco Camgerana, porém, aprovou a proposta feita pelo grupo. “Vamos fazer porque faz parte do trajeto proposto pela Secretaria da Segurança.”

Moradores. O ato prejudicou quem estava saindo do trabalho, mas dividiu opiniões. A diarista Elenice Jesus dos Santos, de 61 anos, ficou sem pegar o ônibus na Avenida Ipiranga, de onde iria para o Jardim Ângela, zona sul. “Eu faço faxina a R$ 100 por dia e não é toda patroa que paga a passagem. Tem dias que pego ônibus e metrô e me custa mais de R$ 10. Para quem ganha o que eu ganho, aumentar o preço é um prejuízo.”

O comerciante Anderson de Moraes dos Santos, de 43 anos, reprovou o protesto na rua. “Atrapalha a vida de todo mundo e não consigo entender se eles protestam contra a tarifa ou contra a polícia. A conta de luz também está alta e não vejo ninguém reivindicar nada”, afirmou ele.

As Estações República e Anhangabaú do Metrô tiveram as portas fechadas. Na última, mascarados tentaram forçar a entrada a chutes, mas desistiram depois que a Polícia Militar chegou.

Ao chegar à Câmara, o grupo fez um jogral: “Na quinta-feira, a população convoca o prefeito (Fernando Haddad) e o governador (Geraldo Alckmin) a explicar o aumento, sem bomba. Amanhã vai ser maior”. O ato de quinta-feira está marcado para as 17h, no Largo do Paiçandu, no centro.

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