GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

MPL convoca ato contra aumento da tarifa para 8 de janeiro

Estudantes secundaristas e Sindicato dos Metroviários já manifestaram apoio à manifestação; passagem custará R$ 3,80

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2015 | 19h25

Atualizada às 10h20 de 05/01

SÃO PAULO - O Movimento Passe Livre (MPL) marcou um protesto em 8 de janeiro, na véspera do aumento da tarifa de ônibus, metrô e trem para R$ 3,80, anunciada nesta quarta-feira, 30. A informação foi confirmada pela militante do grupo, Luíze Tavares. Marcado para 17 horas, o local e trajeto da manifestação ainda serão definidos. O Movimento diz que o ato do dia 8 é apenas o primeiro. Estudantes secundaristas de escolas ocupadas confirmaram presença nos protestos.

 O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciaram ontem o aumento, que entra em vigor no dia 9.  O reajuste será de 8,6% e vai ficar abaixo da inflação, já que a previsão do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 10,72%. Com o aumento, as tarifas de integração devem subir de R$ 5,45 para R$ 5,92.

"O MPL encara o aumento de forma bem combatente. Nem nós nem as pessoas vão ficar à mercê. Porque as pessoas sentem no bolso e estão bem incomodadas. Vamos bater de frente com o aumento", disse Luíze. De acordo com a militante, o MPL vai às ruas contra o aumento da tarifa e em defesa da principal bandeira do grupo, a tarifa zero. "Transporte tem que ser tratado como direito social. Como a gente pode falar que uma educação e uma saúde são públicas se a gente paga R$3,50, e agora R$ 3,80, para chegar a esses lugares?", questionou.

A última vez que houve aumento no valor das passagens de ônibus, metrô e trem foi em janeiro deste ano, quando a tarifa subiu de R$ 3 para R$ 3,50, após ter ficado mais de um ano congelada. Em 2013, uma série de protestos do Movimento Passe Livre (MPL) marcou o anúncio de aumento nas tarifas de transporte público, que, à época, seria de R$ 3 para R$ 3,20, e os dois governos resolveram recuar. Na ocasião, Haddad também resolveu contratar uma auditoria para analisar o sistema municipal de transporte e avaliar o reajuste necessário.

Em uma rede social, a página oficial do grupo mandou um recado ao prefeito e ao governador: "Se querem gerra, terão". Na descrição do evento criado pelo Movimento, com 2,3 mil pessoas confirmadas na manhã desta quinta-feira, o MPL diz que o reajuste é um "presente de ano novo" de Haddad e Alckmin, que "na mais pura amizade deram as mãozinhas e anunciaram o aumento". Os militantes resgataram ainda um vídeo com orientações para pular as catracas como forma de protesto. 

 

Apoio. Estudantes secundaristas que ocuparam escolas contra a reorganização proposta por Alckmin manifestaram apoio ao MPL e vão participar do protesto. É o caso da Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros, que já se mobiliza para ir às ruas.

"O preço da tarifa do transporte público está sempre na agenda dos estudantes. Não podemos ter uma educação de qualidade sem ter a liberdade de ir e vir. Para ir ao cinema, teatro, museu ficamos emperrados por uma catraca. Então, essa luta é nossa, sim", disse o estudante do 3º ano, Heudes Cássio Oliveira, de 18 anos.

Nas redes sociais, o coletivo "Mal Educado", criado pelos secundaristas durante as ocupações, informou que o aumento é "mais um golpe contra estudantes e trabalhadores" e que "2016 é ano de luta". Já o Movimento Luta do Transporte no Extremo Sul publicou nota afirmando que "3,80 o trabalhador não aguenta".

O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, disse que o aumento dificulta o acesso da população, já "prejudicada com a crise econômica". "O que os governos fizeram foi uma maldade nesse fim de ano com a população, anunciando o aumento da passagem, quando poderiam estar discutindo a redução para ajudar as pessoas", afirmou.

Segundo Júnior, o Sindicato vai se mobilizar com o MPL contra o aumento. "Vamos discutir com os advogados todas as medidas possíveis e cabíveis para entrar na Justiça contra o reajuste. A nossa intenção é que o governo volte atrás", disse. 

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